Robson Fernandes/ Estadão
Robson Fernandes/ Estadão

Hoje em risco, patrocínios 'salvam' clubes há mais de três décadas

Ao longo dos últimos anos, empresas têm utilizado o futebol para se destacar no Brasil; algumas tiveram retorno extraordinário com as parcerias

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 07h00

É impossível pensar em um grande time de futebol na atualidade sem que haja um grande patrocinador estampado em sua camisa. Por isso, existe o temor que a pandemia do novo coronavírus afete o departamento de marketing das empresas a ponto de elas reverem, ou retirarem, o investimento no futebol. No Brasil, a apreensão é grande. Corinthians, Botafogo, Fluminense e Vasco, entre outros, já perderam parceiros menores.  O medo maior é que a crise atinja os patrocinadores masters, aqueles que despajam mais dinheiro dos cofres do clubes. Mas também há algumas boas notícias.

 O Flamengo, maior time sul-americano do momento, é o protagonista da melhor delas no momento. O clube está prestes a divulgar um acordo com as Lojas Americanas, uma das maiores lojas de departamento do País, que vai depositar anualmente na conta do rubro-negro R$ 40 milhões. Tal valor, permitirá ao clube mais tranquilidade para manter o caro elenco que montou. No futebol atual, o patrocínio é fundamental no planejamento financeiro das agremiações.

Mas a história de parcerias no futebol nacional é antiga e muitas marcas tiveram retornos excepcionais. A primeira jogada de marketing no futebol é de 1948, quando a Fábrica de Tecidos Bangu estampou seu logo no uniforme do Bangu Atlético Clube, que tinha em seu elenco o craque Zizinho. Como o clube e a empresa tinham o mesmo nome, a Fifa, que não permitia esse tipo de negociação, não pôde punir as partes.

Em 1975, o Fluminense fez um amistoso contra o Bayern de Munique, no Maracanã, e usou a marca Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), um programa governamental que visava erradicar o analfabetismo em crianças, jovens e adultos no País. Não recebeu um centavo por isso.

O impulso para que os clubes do futebol brasileiro pudessem faturar com patrocínio veio na década de 1980. E nessas mais de três décadas, essa fonte de renda foi crescendo em importância.

Em 1982, quando a lei passou a permitir patrocínios em competições internacionais amistosas, o Internacional de Porto Alegre estampou na parte de trás de suas camisetas, acima do número, a marca do refrigerante Pepsi, que pagou dois milhões de cruzeiros. A renda da final do Campeonato Paulista daquele ano entre Corinthians e São Paulo foi de CR$ 50 milhões.

Em torneios nacionais, o primeiro time a ter um patrocinador foi o Democrata, de Governador Valadares, que recebeu CR$ 500 mil, também em 1982, para estampar a marca esportiva Equipe. O Ceará seguiu os mesmos passos e arrecadou CR$ 16 milhões por um contrato de quatro anos com a Associação Cearense de Cadernetas de Poupança.

Também em 1982, o Corinthians e São Paulo jogaram a final do Paulistão "patrocinados" por Bombril e Cofap, respectivamente.

Em 1987, a Copa União, o campeonato brasileiro daquela época, teve 10 dos 16 times participantes com o nome da Coca-Cola em suas camisas. Apenas Corinthians (Kalunga), Flamengo (Petrobras), Internacional (Aplub), Palmeiras (Agip), Santos (Suvinil) e São Paulo (BIC) ficaram de fora do monopólio. E a marca de refrigerante teve de trocar o vermelho pelo preto nos uniformes de Grêmio, Coritiba e Botafogo por causa dos rivais desses times. 

Mas foi na década de 90 que as marcas passaram a faturar alto por associarem seus nomes a grandes equipes. Em São Paulo, por exemplo, o banco IBF esteve junto do São Paulo em seu período mais vitorioso, quando da conquista do bicampeonato da Libertadores, Mundial entre outras taças.

A Parmalat também marcou época ao lado do Palmeiras, ganhador dois anos seguidos do Campeonato Paulista e do Brasileiro, em 1993 e 1994. "A Parmalat não foi um patrocinador do Palmeiras. A relação foi de parceria, pois a Parmalat agia na gestão do clube", disse José Carlos Brunoro, gestor do projeto Palmeiras-Parmalat. "Como os resultados dentro de campo foram extraordinários, houve uma visibilidade muito grande e causou uma credibilidade que aumentou muito as vendas."

Segundo Brunoro, atual consultor das categorias de base do Fortaleza e do projeto CEARF, em Lima, no Peru, a única desvantagem, "que era mínima", era o fato de fanáticos dos outros times rivais não comprarem os produtos da Parmalat. "Mas isso era 0,001% das pessoas."

Outra marca que teve seu nome muito ligado a um clube foi a Kalunga, empresa de materiais de papelaria e artigos informática, com o Corinthians. Muitos dos gols do lendário Marcelinho Carioca foram festejados com aquele logo. 

Em 2001, em uma grande jogada de marketing, o Vasco, então dirigido pelo presidente Eurico Miranda, entrou no Maracanã para jogar a final da Copa João Havelange, de 2000, diante do São Caetano, com a marca do SBT, canal rival da Globo, dona dos direitos exclusivos de transmissão da partida.

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