Íbis/Michael fotógrafo
Íbis/Michael fotógrafo

‘Pior time do mundo’, Íbis briga por acesso e pode ser, acredite, campeão em Pernambuco

Clube não disputa a primeira divisão do Estadual há 21 anos; presidente diz que 'torce por vitória até de meio a zero', mesmo contrariando sua condição histórica

Pedro Ramos, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2021 | 10h00

Um dos clubes mais folclóricos do futebol brasileiro, o Íbis, que carrega o apelido de “pior time do mundo”, pode voltar à primeira divisão do Campeonato Pernambucano e até ser campeão no próximo domingo, um dia antes do seu 83º aniversário. Três times brigam por duas vagas que estão em jogo no quadrangular final da segunda divisão estadual. O Caruaru City é líder empatado com quatro pontos com o Íbis, que enfrenta na última rodada o Petrolina, com apenas três.

Para conseguir o acesso, contrariando sua condição histórica, uma vitória ou um empate com o Petrolina já garante presença na primeira divisão do Pernambucano, algo que não acontece há 21 anos. Em caso de derrota, precisa torcer pela vitória do América sobre o Caruaru City e por uma combinação no saldo de gols. 

Para ser campeão, precisa somar mais pontos que o Caruaru ou igualar o resultado do adversário, mas tirar a diferença de saldo de gols que hoje é de um gol. As duas partidas serão realizadas neste domingo às 15h. O elenco do Íbis viajará quase 800km para a partida.

O presidente do Íbis, Ozir Ramos Jr, disse que o clube está batendo na trave nos últimos anos, mas está confiante no acesso. "Nós temos tudo para conseguir a vaga. Faz 20 anos que estamos procurando o acesso. A gente está batendo na trave há alguns anos. Sou muito supersticioso e deixo nas mãos de Deus, mas não fiz promessa caso consiga o acesso. Vamos oferecer um prêmio aos jogadores porque é o mais importante para nós. Se for campeão, será bem-vindo", disse. Ele também cravou um palpite para a partida. “Vitória de meio a zero, até se for com gol de mão. Maradona fez assim. Por que a gente não pode fazer também? (risos)".

Para sair vitorioso, o que não é muito a sua praia, o Íbis conta com o atacante Kelven, um dos vice-artilheiros da competição, com cinco gols, um atrás de Julio, do Petrolina. No ano passado, a equipe fez boa campanha na primeira fase do estadual, mas teve mau desempenho no quadrangular e ficou longe da vaga. O acesso ajudará financeiramente o time.

Fora de campo, o Íbis é um sucesso nas redes sociais, com mais de 305 mil seguidores no Twitter e 339 mil no Instagram. O perfil do clube está sempre gerando interações com brincadeiras e provocações a outros times brasileiros e até de fora do Brasil. A estratégia bem sucedida nas redes atraiu investidores.

Em junho, o Íbis fechou o maior patrocínio de sua história ao assinar contrato com a casa de apostas Betsson até o fim do ano. Os valores não foram revelados. O presidente usou o dinheiro para investir no elenco e nas divisões de base.

"Nosso trabalho é muito árduo por ser um clube sem muito poder financeiro, mas graças ao patrocinador a gente conseguiu melhorar as coisas. A base de jogadores é essa de dois a três anos atrás, conseguimos alavancar mais um pouquinho as condições financeiras e isso deu fruto", conta Ozir.

História

O Íbis foi fundado em 1938 como um grêmio recreativo de uma indústria de tecido e ganhou o apelido de pior time do mundo entre o fim da década de 1970 e início de 1980, graças a nove derrotas consecutivas e depois uma sequência de 23 partidas sem vencer. Foram longos três anos e 11 meses sem comemorar vitória, recorde registrado no Guinness Book e história que ganhou fama mundial. 

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