Idioma é problema para Copa de 2002

A Fifa já detectou problemas que podem prejudicar o Mundial de 2002 e encaminhará algumas sugestões para os Comitês Organizadores do evento, no Japão e na Coréia do Sul. O mais grave de todos refere-se ao idioma. Mesmo exercendo atividades de contato direto com turistas, a grande maioria dos japoneses e sul-coreanos que trabalha em hotéis e aeroportos dos dois países não fala a língua inglesa. Um dos encarregados de levantar esses dados é Michael Johnson, um agente credenciado pela Fifa para acompanhar a Copa das Confederações, competição que vem servindo como laboratório para a Copa. De acordo com o dirigente, a contratação de um grande número de pessoas que dominem pelo menos três línguas - o inglês é essencial - é uma necessidade premente para viabilizar a vinda de turistas e facilitar o trabalho dos profissionais que vão trabalhar no Mundial.Essa dificuldade é mais notada em hotéis de pequenas cidades do Japão, onde muitos recepcionistas sabem apenas a língua do país. "Há casos em que o hóspede leva minutos para se fazer entender e, às vezes, ele só quer um copo de água", contou Michael Johnson.A sinalização nas cidades escolhidas como sedes do Mundial também terá de receber placas e letreiros em inglês. Apesar da certeza de que as autoridades locais vão acatar os conselhos, o agente da Fifa sugere que os interessados em assistir aos jogos no Japão e Coréia do Sul aprendam os termos básicos dos dois idiomas, para se ver livre de situações de constrangimento. "Que sejam algumas palavras ou expressões, como bom dia, obrigado, os números de um a dez. Isso facilitaria a vida de muita gente." Michael Johnson enaltece uma virtude dos japoneses: são muito disciplinados e seguem à risca o que está escrito. Portanto, admite, desconhecem o famoso "jeitinho brasileiro" para resolver questões embaraçosas. "Eles têm muito boa vontade, mas não sabem lidar com o imprevisível." Como exemplo, o dirigente cita a dificuldade de um representante de uma empresa de marketing da Alemanha na hora de tentar retirar seu credenciamento em Kashima, sede dos jogos do Brasil na primeira fase da Copa das Confederações. Por erro de digitação na ficha de preenchimento, o nome do alemão saiu com uma letra a menos, em vez de Jürgen, o computador registrou Juergen. A solução para um problema tão simples levou várias horas. O funcionário do comitê que atendeu o visitante demorou a entender o que se passava e depois pensou estar diante de uma descoberta incrível. Por isso, fez algumas estranhas indagações a Jürgen: "O senhor trocou de nome ou o senhor é outra pessoa? Pelas nossas leis, em nenhum dos dois casos isso é possível."

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