Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Idolatria dos peruanos faz de Gareca um técnico com 'dupla cidadania'

Argentino que vem quebrando jejuns históricos com a seleção ganhou RG peruano e até estátua

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2019 | 04h30

Os peruanos idolatram o técnico Ricardo Gareca a ponto de considerá-lo um conterrâneo. O Registro Nacional de Identificação e Estado Civil do Peru decidiu naturalizar o argentino de maneira simbólica. O órgão criou um Documento Nacional de Identidade (DNI), algo como o RG do Brasil, como se Gareca fosse, de fato, peruano.

Como estrangeiro, o técnico de 61 anos possui um cartão de imigração. “DNI de um peruano de coração”, escreveu o órgão estatal em sua página no Facebook. “Após tantas coisas importantes que Gareca realizou com a seleção do país, ele se tornou mais um peruano”, afirma a jornalista peruana Ivi Pozo. 

Essa admiração não é efêmera. Após a classificação para a Copa da Rússia, Gareca ganhou uma estátua juntamente com o atacante Guerrero em San Miguel, perto da capital Lima. A homenagem foi uma iniciativa da prefeitura com o apoio dos moradores. Mais de 70% dos habitantes concordaram em investir US$ 6 mil (R$ 23 mil) na obra em tamanho natural. 

O argentino de Tapiales conquistou o coração dos peruanos encerrando jejuns históricos. A vaga na final da Copa América veio depois de 44 anos. Gareca ganhou a estátua, pois a seleção não se classificava para uma Copa do Mundo havia 36 anos. 

Em uma votação realizada pelo jornal El País, do Uruguai, no ano passado, Gareca ficou com o prêmio de “técnico do povo”, com 49,55% dos votos contra 21,09% de Tite, o segundo colocado. Entre os atletas, ele tem a fama de pedir coisas simples, como transição rápida entre a defesa e o ataque em um tradicional 4-4-2. “Ele tem ideias modernas, conversa bastante com os jogadores e gosta que o time jogue para a frente”, comentou o meia Allione, comandado por Gareca no Vélez Sarsfield (2011 e 2013) e no Palmeiras (2014). 

Gareca falhou feio nos 5 a 0 diante do Brasil, a pior derrota de sua carreira, segundo ele próprio. Ele errou na escalação e na estratégia de propor um jogo aberto. Faltou calibrar as dificuldades de encarar uma seleção superior tecnicamente, que jogava em casa. Uma vergonha, reclamou o jornalista na entrevista coletiva após o jogo. “O que posso dizer se você fez uma análise do jogo? Eu sou o máximo responsável (pela goleada)”, disse. 

Sua passagem de três meses pelo Palmeiras não deixou saudades. A diretoria atendeu seus pedidos e trouxe quatro compatriotas: Tobio, Allione, Mouche e Cristaldo. Em 13 jogos, foram quatro vitórias, um empate e oito derrotas. O time brigou para não cair naquele Brasileirão. 

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