Vanderlei Almeida/AFP
Vanderlei Almeida/AFP

Ídolo do Corinthians, Freddy Rincón morre na Colômbia após acidente de carro

Atleta, que também atuou no Palmeiras, Santos e Cruzeiro, não resistiu aos ferimentos provocados após batida na cidade de Cali; ele tinha 55 anos e dois filhos

Wilson Baldini Jr. e Jayanne Rodrigues, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2022 | 02h23

O jogador colombiano Freddy Rincón, que já vestiu a camisa de Corinthians e Palmeiras, entre outros clubes do Brasil, morreu na noite desta quarta-feira, dia 13, vítima de um acidente automobilístico. Na madrugada de segunda-feira, seu veículo se chocou com um ônibus em um cruzamento de duas avenidas em Cali, na Colômbia, numa batida muito forte.

Ele foi socorrido e encaminhado para a Clínica Imbanaco com traumatismo craniano e em estado crítico. Os médicos precisaram fazer uma cirurgia, que durou 2h45, mas, apesar dos esforços, o atleta de 55 anos não resistiu. A clínica anunciou a morte através de comunicado oficial para a imprensa. Por meio de nota, o hospital afirmou que, mesmo com toda a dedicação da equipe médica, Rincón não reagiu aos estímulos. A clínica prestou condolências e reforçou que o povo colombiano iria recordar com alegria da trajetória do jogador no meio futebolístico. O Brasil também prestará homenagem ao jogador, ídolo do Corinthians, onde foi capitão e usou a camisa 8.

Para celebrar o legado do craque, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) resgatou um dos momentos mais emblemáticos dele durantes os anos de atuação. "Muitos de vocês estão compartilhando suas memórias pessoais. Para milhões, é esse gol da Copa do Mundo de 1990", relembrou em post no Twitter. Na disputa, a seleção colombiana precisava de um gol para evitar a eliminação da fase de grupos do torneio. O responsável pela virada quase 'impossível' deixou seu nome cravado na história do futebol: Rincón. 

Inspiração para jovens e atletas da América Latina, ele também deixou uma marca em seu país de origem, como ressaltou a Federação Colombiana de Futebol (FCF).  Rincón foi o primeiro colombiano a vestir a camisa do clube espanhol Real Madrid. Em nota, a entidade destacou que a morte do jogador representa uma grande perda para o esporte. Rincón também vestiu a camisa do Napoli.

Carreira no futebol

Dono de um estilo raro que reunia de forma impecável força e técnica refinado, além de uma impressionante liderança dentro e fora dos gramados, o colombiano fez sucesso por onde passou em sua carreira de duas décadas no futebol profissional. Talentoso, Freddy Eusebio Gustavo Rincón Valencia nasceu em Buenaventura, Colômbia, em 14 de agosto de 1966, e iniciou sua carreira jogando pelo Independiente Santa Fé e América de Cali.

Rincón ganhou notoriedade internacional na Copa de 1990, ao marcar o gol de empate da seleção colombiana sobre a Alemanha na primeira fase do Mundial da Itália. Nas Eliminatórias para a Copa dos EUA, em 1994, viveu o auge ao brilhar na goleada por 5 a 0 sobre a Argentina, em Buenos Aires, com direito a dois gols do jogador que atuava como meia-atacante.

Rincón marcou 17 gols em 84 partidas pela seleção colombiana. Disputou as Copas do Mundo de 1990 (Itália), 1994 (Estados Unidos) e 1998 (França). O sucesso chamou a atenção do Palmeiras/Parmalat, que o contratou em 1994 para atuar em uma esquadrão que tinha também Edmundo, Evair, Edilson e Zinho. Rincón ficou apenas uma temporada no Palestra Itália para ser negociado com o Real Madrid. O Palmeiras lamentou a morte do colombiano e publicou um vídeo curto com seus gols com a camisa alviverde.

Após duas temporadas, retornou para o Palmeiras para jogar em 1996 e 1997, seguindo para o arquirrival Corinthians. Rincón conseguiu algo raro, que foi ser idolatrado pelas duas grandes torcidas de São Paulo. Ao lado de Dida, Gamarra, Vampeta, Marcelinho, Edilson, Ricardinho e Luizão foi bicampeão brasileiro e, como capitão, Rincón - exercendo a função de volante - levantou a taça do Mundial de Clubes da Fifa de 2000, no Maracanã, após vitória nos pênaltis sobre o Vasco, de Romário e Edmundo. Na conta oficial do Corinthians, o time lamentou a morte do jogador. 

Após encerrar a carreira, em 2004, Rincón tentou começar uma trajetória de técnico em clubes menores. Chegou a ser auxiliar, em 2010, no Atlético-MG, mas não deu prosseguimento à carreira. Atualmente, ele vinha trabalhando como comentarista esportivo na Colômbia. Além do Corinthians, outros clubes brasileiros prestaram homenagem ao atleta. Ríncon tinha dois filhos.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.