Ídolo do futebol peruano é condenado

O capitão da seleção peruana nas Copas de 1970 e 78, Héctor Chumpitaz, foi condenado na noite de sexta-feira por um tribunal peruano a quatro anos de pena privativa de liberdade, mas suspensa em caráter condicional, num julgamento por delito contra a administração pública, pelo mau uso de fundos públicos e por supostos vínculos ilegais com o ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos.Segundo as leis peruanas, a sentença de quatro anos não leva Chumpitaz à prisão, pois é considerada uma condicional. Mas o ex-jogador tem de se submeter a certas regras, como não ir a lugares de reputação duvidosa, não se ausentar de sua residência sem avisar previamente ao juiz, comparecer mensalmente ao tribunal para informar suas atividadesChumpitaz, uma das figuras mais emblemáticas do futebol peruano, foi julgado cúmplice por ter recebido US$ 30 mil de Montesinos para acompanhar em 1998 a candidatura à Prefeitura de Lima do ex-ministro Juan Carlos Hurtado Miller, na época apoiado pelo presidente Alberto Fujimori (1990-2000).O ídolo internacional peruano, que jogou mais de cem partidas pela sua seleção e disputou duas Copas do Mundo, no México, em 70, e na Argentina, em 78, deverá pagar também 50 mil soles, cerca de US$ 15 mil numa reparação civil ao Estado. A sentença, que na prática deixa Chumpitaz em liberdade, foi impugnada pela defesa do ex-jogador.Montesinos foi condenado, por sua vez, a oito anos de prisão e ao pagamento de 500 mil soles, cerca de US$ 150 mil, enquanto as sentenças para Hurtado Miller e para o ex-ministro Absalón Vázquez não foram reveladas até que sejam capturados.Durante o processo, Montesinos assumiu total responsabilidade pela entrega do dinheiro e pediu desculpas a Chumpitaz. O ex-assessor disse ainda que apenas seguiu ordens de Fujimori.Chumpitaz foi envolvido no caso depois da confirmação de que recebeu US$ 30 mil de Montesinos para financiar sua campanha como vereador na lista de Hurtado Miller. O ex-jogador permaneceu até 30 de março deste ano em prisão domiciliar. Depois foi liberado, mas o processo continuou. O julgamento de personagens ligados à rede de corrupção de Montesinos teve grande impacto na imprensa peruana e motivou a preocupação do Rei Pelé e do peruano Teófilo Cubillas, seu companheiro, entre outros.

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