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Ídolo em construção

Gabriel Jesus tem ótimo início na Inglaterra, como extensão da subida que começou no Palestra

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2017 | 03h00

Gabriel Jesus é o nome do momento, por aqui e na Inglaterra. Um mês atrás, o rapaz saiu de casa cheio de cartaz e confiança, pelo título brasileiro conquistado pelo Palmeiras e pelos gols na seleção. Desembarcou na Inglaterra em condições desfavoráveis – fora de campo (inverno dos bravos por lá) e dentro (o Manchester City pressionado por resultados insatisfatórios). E o que aconteceu? Mal entrou no time, marcou três gols. Desempenho suficiente para que ocupe espaço de relevância em jornais, sites, tevês e similares. 

Gabriel assumiu a condição de ídolo em construção. Há quem se empolgue com a resposta imediata do moço, da mesma forma como não faltam narizes torcidos, a expressar “calma com o andor, ele não é tudo isso”. No caso, a virtude está no meio-termo. Não existe motivo para desprezar os elogios, tampouco é desnecessário exagero daqueles que já o comparam a Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo e outros gigantes. (Se bem que, sem paixão e hipérboles, que graça teria o futebol?)

As evidências de que Gabriel Jesus venha a ocupar lugar de destaque no mundo da bola não surgiram do nada. Já nos tempos de juvenil no Palestra, os prognósticos esbanjavam esperança. O desempenho no time profissional, nos Jogos Olímpicos e nas Eliminatórias só confirmaram o otimismo de quem o acompanha desde menino. 

A Inglaterra é nova etapa na carreira com escalada veloz de um moço que completará 20 anos em 3 de abril. Vinte! Os gols, a adaptação à vida de imigrante, a absorção da proposta tática de Pep Guardiola surpreendem pela rapidez, mas só até certo ponto. Na prática, tudo representa sinais de maturidade acima da média. Numa idade em que é comum ainda ter reações e fazer bobagens típicas de adolescente – e tomara que as tenha e faça, para saúde emocional dele. Porém, mais fortes são os traços de concentração e profissionalismo. E boa orientação familiar. 

Gabriel é quase um menino (e resisti ao máximo ao uso da palavra) com postura de homem. Alguém que entende o estágio em que se encontra. Por isso, não dá para considerar precipitação imaginar panorama favorável para o futuro. Muitos brasileiros com menos recursos técnicos do que ele vingaram, na base do suor, da seriedade, do comprometimento com o ofício. Assim como craques quebraram a cara, por confiar que venceriam só com o talento.

Gabriel conta com apoio adicional de Guardiola. O treinador mostra sensibilidade suficiente para incentivá-lo na dose exata, compreende o valor do diamante que tem em mãos e não parece afobado em depurá-lo. A vida corporativa mostra que, quando a chefia dá respaldo, o funcionário rende bem. Por que seria diferente agora?

Gabriel Jesus, treinador, dirigentes e torcedores do Manchester – e imprensa – precisam preparar-se para os momentos de oscilação, que virão e são comuns em qualquer atividade. Devem precaver-se com as interrogações e críticas que virão, tão logo surjam sintomas de baixa. Sobretudo se ele passar sem arranhões significativos em eventuais turbulências, e crescer com os obstáculos, não há por que duvidar que assistimos à afirmação de novo astro – e sem trocadilho com "Jesus".

Pressão já?! Precipitação é marca registrada no futebol. O São Paulo estreou no Paulistão com derrota por 4 a 2 para o Audax e há temor de que possa sentir os efeitos no duelo com o Moto Clube, amanhã, pela Copa do Brasil. Como se trata de jogo único, existe o risco de desclassificação, que virá só com tropeço – pelo regulamento, agora até empate garante vaga tricolor. O São Paulo mostrou falhas em Barueri, talvez a maior tenha sido a afobação, e virtudes. Nada diferente para início de temporada. Mas Rogério Ceni terá trabalho. Óbvio.

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