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Arquivo Pessoal/Cesinha
Arquivo Pessoal/Cesinha

Ídolo na Coreia do Sul, brasileiro se diz ansioso para 'reinaugurar' o futebol no país

Cesinha, do Daegu, encara o início da liga como um marco da vitória local sobre o novo coronavírus

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2020 | 07h00

O atacante Cesinha, do Daegu FC, da Coreia do Sul, vive atualmente uma situação que é invejada por vários jogadores pelo mundo. Confinado nas instalações do clube, ele enfrenta a ansiedade de voltar a jogar partidas oficiais no próximo dia 8, enquanto outras centenas de países ainda sofrem com a paralisação forçada pelo novo coronavírus e não sabem quando o futebol poderá voltar.

O campeonato local, chamado de K-League, será o segundo do mundo a retomar o calendário após a interrupção causada pela pandemia. O primeiro foi a liga do Turcomenistão. Para Cesinha, voltar a campo é uma sensação ainda mais especial, já que a cidade onde ele mora, Daegu, foi uma das mais afetadas pela pandemia. O time entrou em campo pela última vez em dezembro e teve de aguardar o adiamento do início da temporada.

"Toda população se conscientizou sobre a gravidade do problema. Quem podia ficar em casa ficava e os que precisavam sair para trabalhar ou fazer algo importante sempre, sem exceção, utilizavam máscaras. Acho que foi uma das coisas mais importantes aqui", disse Cesinha ao Estado. O atacante de 30 anos está no clube desde 2016 e é um dos ídolos da torcida. O rosto dele até aparece no rótulos de produtos alimentícios vendidos na cidade.

Antes da Coreia do Sul, somente países sem tradição no futebol tinham mantido o calendário do futebol sem qualquer alteração: Bielo-Rússia, Burundi, Nicarágua e Tajiquistão. Logo depois, o campeonato do Turcomenistão foi retomado em 19 de abril, após um mês de paralisação. Por precaução, a K-League terá partidas com os portões fechados e segundo Cesinha, o time tem treinado nas últimas semanas com uma série de cuidados médicos.

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A todo tempo o clube oferecia as máscaras, álcool em gel e aferia nossa febre
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Cesinha, Atacante do Daegu

"A todo tempo o clube oferecia as máscaras, álcool em gel e aferia nossa febre para depois irmos para os treinos. Também foi proibida a entrada de torcedores nos treinos durante a quarentena e isso segue até hoje por questão de segurança na saúde", disse Cesinha, que em 2018 ganhou o prêmio de artilheiro e melhor jogador da K-League.

Ex-Atlético-MG e Ponte Preta, o jogador passou o período mais crítico da pandemia dentro de casa, em Daegu, e presenciou pela cidade os cuidados minuciosos dos sul-coreanos com a doença. "Os mercados ofereciam higienização nos carrinhos ou nas mãos a todo tempo, filas foram controladas com distâncias para evitar aglomerações. Também tivemos pontos de testes espalhados pela cidades. Se você apresentasse algum sintoma, você ligava para um número de emergência e logo em seguida você era encaminhado", contou.

CRISTIANO RONALDO

Cesinha relembrou na entrevista ao Estado o encontro que teve com Cristiano Ronaldo em julho do ano passado. Em amistoso de pré-temporada na China, a Juventus sofreu um gol marcado pelo brasileiro, que para comemorar, imitou a coreografia do craque português. O astro estava no banco de reservas, mas depois da partida chegou a conversar com o brasileiro e os dois trocaram camisas.

"Está bem guardada (a camisa) e pretendo colocá-la em um quadro para sempre olhar para ela e me lembrar do dia mais inesquecível da minha carreira até hoje", comentou Cesinha. Outro dia feliz que o jogador espera ter pela frente é quando receber o passaporte sul-coreano. "Quero muito me naturalizar. Me identifiquei com o país e queria poder um dia ter a oportunidade de me tornar um sul-coreano. Quem sabe um dia consigo", disse.

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