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Ídolos, chegadas, partidas

Jô resolveu voltar ao Corinthians; Dudu pediu para ser negociado pelo Palmeiras

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2020 | 05h00

De maneira até certo ponto surpreendente, resolveu voltar ao Corinthians. Já Dudu quer ir embora do Palmeiras. O destaque corintiano no time campeão brasileiro de 2017 tinha contrato com o Nagoya Grampus do Japão até 31 de dezembro de 2020, mas optou pela instabilidade do time paulista. Assim, voltou ao futebol brasileiro. O palmeirense espera, ansioso, que chegue uma prometida proposta árabe.

A favor de Jô o compromisso de três anos, nada mal para um atleta com 33 de idade, mas nesse Corinthians endividado e nada pontual no cumprimento de seus compromissos financeiros, convenhamos, é uma escolha no mínimo questionável. Ainda mais se compararmos o cenário de Brasil e Japão em tempos de pandemia do novo coronavírus.

Contudo, é o caso do palmeirense que chama mais a atenção. Há quase três semanas, Dudu pediu à diretoria que o negociasse com o Al-Duhail e desde então no Palmeiras se espera uma proposta chegando do Catar. Especula-se que €13 milhões serão oferecidos pelos árabes.

Mas se não formalizarem o interesse, o clube nada poderá fazer. E isso foi dito para o atacante novamente em outra reunião envolvendo dirigentes, jogador e seus representantes na sexta-feira passada.

Em meio à espera pela proposta do Al-Duhail, Dudu se viu envolvido em complexo imbróglio com a ex-mulher, que o acusou por agressão. O caso foi parar na polícia, vídeos registrando conflitos do casal tornaram-se públicos, o desgaste foi inevitável e pessoas próximas acreditam que uma mudança para o Oriente Médio faria bem ao atleta. Em tese, um motivo a mais para o Palmeiras entender o pedido do camisa 7 e negociá-lo, ainda mais depois do ótimo retorno técnico que já deu.

Principal nome nas conquistas da Copa do Brasil 2015 e do Campeonato Brasileiro em 2016 e 2018, Dudu desejava sair há dois anos, quando uma proposta do Shandong Luneng o animou a se transferir para a China. Contudo, os palmeirenses haviam negociado outros atletas e não se enxergava reposição à altura em meio à temporada, pois os principais atacantes já haviam defendido outras camisas na Série A e na Libertadores, ou seja, não poderiam se transferir.

Dudu combinou com os dirigentes que ficaria até o final do ano. Ao lado do então diretor executivo Alexandre Mattos, deu entrevista coletiva comunicando a permanência. Com o título nacional de 2018, todos ficaram felizes, o jogador com motivos a mais, já que em março do ano passado prorrogou contrato até 2022, obteve aumento salarial e sua multa rescisória saltou para €60 milhões.

Convencido a ficar lá atrás, ele tinha argumentos bons o bastante para dobrar os cartolas desta vez.

Mas cadê a proposta? Embora não se manifestasse publicamente, a direção palmeirense segue à esperá-la para negociar o ídolo. Se forem mesmo €13 milhões na assinatura do acordo, o clube deverá repassar €3 milhões à patrocinadora, que bancou parte da aquisição dos direitos. Ficaria, ainda assim, com uma quantia razoavelmente competitiva para ir ao mercado, ainda mais com tantos clubes de pires na mão devido à pandemia do novo coronavírus.

Imaginar Dudu jogando com a camisa verde até o final de sua carreira é algo difícil, dado seu desejo manifestado mais de uma vez de retornar ao futebol do exterior. Aos 28 anos, ele já fez valer, como poucos, os milhões de reais nele investidos, entre contratação e remuneração.

Mas se o dinheiro dos árabes não chegar, será um tanto constrangedor. E a Dudu restará permanecer por aqui e esperar novos clássicos contra o Corinthians, mais uma vez de Jô.

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