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O jogo acabou aos 28 minutos do primeiro tempo, quando Romero fez 2 a 0, o segundo gol corintiano em cobranças de escanteio. Era o fim do São Paulo, mal organizado e desatento nas bolas paradas e naquelas que exigiam competência pelo alto. A vantagem arrebentou o adversário e manteve o campeão estável, com a seriedade de quem ainda não havia conquistado nada.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

23 Novembro 2015 | 07h11

Com o grupo em êxtase desde quinta-feira, Tite carregava duas preocupações: extrair uma equipe competitiva em meio às comemorações e homenagear os jogadores com menor participação na campanha do título. Foram oito mudanças em relação ao time que vinha jogando.

O detalhe foi o desempenho tático, pois até o mistão corintiano jogou no sistema 1-4-1-4-1. Significa que a cultura tática foi assimilada ao longo da temporada e que esse astral vencedor faz a diferença.

Ralf jogou entre as linhas e Romero na função de Vagner Love. Pela diferença de características individuais, obviamente a execução do sistema foi diferente. Com menos posse de bola, o Corinthians soube esperar para encontrar as brechas. 

Milton Cruz acreditava trancar o meio de campo com Hudson, Wesley e Thiago Mendes, além de Rogério e Michel Bastos, companheiros de Alan Kardek no ataque. Funcionaria se houvesse, além de distribuição tática, disposição para o jogo.

Em 2015, o São Paulo trabalhou para não dar certo. Começou com Muricy, Milton Cruz assumiu como interino, Osório veio como a salvação, Doriva a solução e Milton voltou para cravar o nome na história como o comandante dos 6 a 1. A salada de treinadores é o caos, cada um traz ideias diferentes. Exemplo? A marcação na bola parada. Foram tantas as mudanças na temporada que a defesa tricolor ficou estática, contando os gols e os carneirinhos. De 2008 para cá, o Corinthians teve três treinadores e um monte de títulos.

A goleada alemã na Copa do Mundo não foi suficiente para produzir mudanças no futebol brasileiro, ficou tudo exatamente como estava. O torcedor espera que a diretoria do São Paulo saiba agir, ao contrário dos cartolas da CBF.

‘El clasico’. Rafael Benitez tem sido contestado desde que foi escolhido pela diretoria do Real Madrid para substituir Carlo Ancelotti. A primeira crítica surgiu por sua concepção tática defensiva. Na principal instituição de futebol do planeta, não basta vencer, é preciso dar espetáculo.

Com um orçamento sem limites para contratações de impacto midiático, a gestão técnica do futebol é obra exclusiva da diretoria. O treinador, a quem cabe organizar a equipe, manda muito pouco nessa área. A missão do escolhido é sintonizar os devaneios dos cartolas às necessidades do jogo.

Beira o ramo da magia. Ancelotti conseguiu, levou uma Champions League quase perdida para o Atlético de Madrid, na prorrogação, porém não foi o suficiente. Mesmo encontrando soluções para condicionar todos os craques contratados pelo presidente Florentino Perez. 

Em seu primeiro clássico contra o Barcelona, Benitez tentou deixar jogadores e direção felizes, mas trabalhou contra suas próprias ideias. Escalou como seu antecessor, mas não foi capaz de fazer o time transpirar. 

Craques sem alma, competência coletiva e disposição para as tarefas obrigatórias do campo, são apenas celebridades expostas ao ridículo.

Depois de atingir o equilíbrio da marcação no meio de campo com Casemiro na função de primeiro volante, surpreendentemente o setor foi composto por Kroos, Modric e James Rodriguez. No tridente ofensivo, Cristiano, Benzema e Bale, apenas torcendo pelos companheiros. No Santiago Bernabéu ou na Arena Corinthians, correr é fundamental.

 

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