Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Imagens bonitas

No fim, a imagem que fica desta Copa não é a de nenhum detalhe do último jogo

Luis Fernando Verissimo*, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2018 | 04h00

E não é que o “jour de gloire” da Marselhesa chegou mesmo? Durante um bom período do jogo, a glória francesa parecia uma possibilidade remota. Os croatas dominavam, os franceses se encolhiam e confiavam em escapadas do Mbappé – e as escapadas do Mbappé não vinham. Aí, a Croácia fez seu primeiro gol e a França acordou para o seu destino histórico e reagiu, liderada pelo Griezmann como uma Marianne – símbolo da Revolução – travestida. E a Bastilha não resistiu.

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No fim, a imagem que fica desta Copa não é a de nenhum detalhe do último jogo, nem de qualquer outro. Não é a de um gol espetacular – e foram muitos na Copa – ou de alguma fachada de São Petersburgo, ou do Neymar rolando pelo chão. É aquela imagem do garotinho, filho do jogador croata Vida, correndo sozinho pelo gramado depois de uma vitória do seu time, uma visão de alegria e liberdade inesquecível, pelo menos para estas retinas.

Foi bom que a Croácia não vencesse a final porque nos obrigaria a dar mais atenção não apenas ao garotinho e à sua família, mas à própria Croácia, seu passado, sua tendência fascista, suas camisetas horrorosas e sua presidente loira como, aparentemente, todos os seus habitantes. A França, que nos livrou de ter que decifrar a Croácia, também tem recaídas racistas. Mas se a vitória dos azuis prova alguma coisa é o sucesso da integração racial na seleção, contra a opinião de gente como Le Pen, que o sucesso só viria com um embranquecimento do time. 

*AUTOR E COLUNISTA DO 'ESTADÃO'

 

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