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Imigrantes devem aprender o que é permitido na cultura do Catar para a Copa

No país muçulmano, é proibido consumir bebidas alcoólicas em lugares que não sejam fechados

Mauro Cezar Pereira, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2019 | 04h30

Aprender como é a cultura do Catar e o que lá não é permitido. Esta é a primeira providência a ser tomada por quem deseja ir à próxima Copa do Mundo. Naquele país muçulmano, homossexualismo é crime, beijos e carícias na rua geram punição e bebidas alcoólicas só podem ser consumidas em locais privados, como hotéis, e ainda assim por quem não segue a religião local. Roupas mínimas devem ser evitadas e a pena de morte se aplica em casos de homicídio, terrorismo, estupro e tráfico de drogas. Quem xingar uma pessoa poderá ser preso e só deixará a cadeia quando o ofendido perdoá-lo. A Fifa vai discutir algumas dessas regras, mas sabe de antemão que não será fácil derrubá-las durante o torneio.

Nas ruas, é comuns ver mulheres com a abaya, veste que cobre todo o corpo, exceto rosto, pés e mãos. Algumas usam o niqab sobre a face, peça que contém apenas uma abertura nos olhos e é comumente confundida com a burca, que tem uma redinha diante dos olhos. Olhar paras as pessoas, fotografá-las ou abordá-las de forma curiosa não é aconselhável. O emirado é visto como mais liberal do que alguns vizinhos e admite uma espécie de flexibilização durante a Copa. Mesmo assim, o rigor não deverá ser abandonado.

A pouco mais de três anos e meio da Copa, Doha é um canteiro de obras. Com vigilância. Movimentos fora da rotina, como jornalistas portando câmeras e se aproximando de um estádio, bastam para gerar corre-corre e alvoroço. O evento colocou um enorme holofote sobre o Catar, como o governo local queria, o que também realçou aspectos negativos, caso das denúncias contra condições as quais seriam submetidos trabalhadores que erguem a infraestrutura do Mundial.

"Houve até mudanças nas leis. O país se empenha nesse sentido", informa o porta-voz do Comitê de Entrega e Legado da Copa do Mundo 2022, Khalid Al-Naama.

De fato, sob pressão internacional, o Catar alterou a legislação e migrantes deixaram de ser obrigados a apresentar autorização do empregador para saírem do país. Organizações de defesa dos direitos humanos, porém, não acham o bastante. "Se ainda cometermos erros, as pessoas podem nos avisar que estaremos prontos para reparar tudo", promete o porta-voz.

No aeroporto de Doha, se repete a cena dos nepaleses, cujos contratos se encerraram, à espera do embarque. O Estado presenciou filas de homens empurrando carrinhos repletos de itens que conseguiram comprar. Eles aguardavam o momento do check-in nos guichês da Himalaya Airlines – são 4h45 de voo na aeronave que diariamente decola às 2h30 da madrugada. O Catar convive ainda com denúncias de compra de votos para ganhar o direito de sediar a Copa. O emirado foi acusado de pagar milhões para receber a competição. "Existem acusações, mas ninguém conseguiu provar nada", desconversa Al-Naama, que usa recursos modernos para mostrar detalhes do evento esportivo numa espécie de andar multimídia no prédio da Associação de Futebol.

Hoje, a cidade-sede convive com carrões dos mais abastados e com estrangeiros pobres construindo os prédios da Copa. Com as obras concluídas, os operários já terão ido para a fila do check-in.

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