Felipe Trueba/EFE
Felipe Trueba/EFE

Impasse emperra envio de US$ 100 milhões da Fifa para o Brasil

Entidade aprova nesta sexta-feira a criação de fundo para repasse do dinheiro, mas divergência com a CBF dificulta a assinatura do contrato

Jamil Chade/Genebra, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2018 | 05h00

O Conselho da Fifa deve aprovar hoje a criação de um fundo de US$ 100 milhões (R$ 371 milhões) para o futebol brasileiro, uma promessa feita em 2014 pelo ex-presidente Joseph Blatter. Mas o contrato entre a entidade e a CBF continua sob impasse diante da insistência da Fifa em controlar os recursos. Para os brasileiros, o dinheiro tem de ser transferido ao País.

A CBF garante que prestará contas sobre os recursos usados. Já a Fifa entende que o dinheiro deve ser mantido na Suíça e enviado a conta-gotas, cada vez que um projeto for aprovado e uma auditoria realizada. A CBF considera que o dinheiro é do Brasil e existe até mesmo quem defenda que a entidade acione a Justiça suíça para obter a liberação do montante.

Blatter aceitou dar os US$ 100 milhões como “legado” da Copa do Mundo. Ao longo de 2014 e início de 2015, alguns projetos começaram a ser realizados e a CBF recebeu cerca de US$ 8 milhões (R$ 29,7 milhões) do fundo. Mas, com a prisão de José Maria Marin e o indiciamento de Marco Polo Del Nero, então no cargo de presidente da CBF, os auditores da Fifa optaram por bloquear o envio de dinheiro para o Brasil. 

O temor dos advogados da entidade era que o envio desses recursos fosse interpretado pela Justiça dos EUA como um sinal de cumplicidade com cartolas suspeitos de corrupção. Depois de nova negociação, a CBF reivindicou que o repasse fosse direto. A Fifa aceitou e pautou o assunto para que seja aprovado pelo Conselho da entidade, reunido esta semana em Ruanda. 

Mesmo se a questão for solucionada, o dinheiro não deve ser liberado imediatamente, pois o contrato ainda não foi concluído. O principal obstáculo é a exigência dos auditores em Zurique. Entre os projetos da CBF está o gasto de 15% dos US$ 100 milhões para o desenvolvimento do futebol feminino. O restante seria para bancar centros de treinamento em Estados que não receberam jogos da Copa de 2014.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.