Impeachment tira presidente da FBA

Numa reunião que durou quase três horas, nesta quinta-feira à tarde, no Rio de Janeiro (RJ), Peter Silva, presidente da Futebol Brasil Associados (FBA) foi destituído do cargo por unanimidade de votos. Dos 22 representantes dos clubes que participam do Campeonato Brasileiro da Série B, apenas o São Raimundo se absteve da votação. O vice-presidente da entidade, João Nilson Zunino, presidente do Avaí, assumiu o cargo interinamente e deve convocar em breve uma nova eleição.Contra Peter Silva havia um dossiê montado pelo presidente do Paulista, Eduardo Palhares, diretor financeiro da FBA. O dirigente do time do interior de São Paulo apresentou documento comprovando a "montagem" de sua assinatura para autorizar a transferência de R$ 10 mil da entidade para uma conta pessoal de Peter Silva numa agência do Banco Real. Outros documentos importantes teriam também sido falsificados pelo ex-presidente, que não participou da reunião.Pelo estatuto da entidade, era necessário a concordância de um terço dos votantes, no caso, oito clubes. Apenas o representante do São Raimundo, de Manaus, Ivã Guimarães, preferiu se abster. Um dos dirigentes mais revoltados e que falou com veemência foi José Luiz Lourencetti, do Guarani, que atravessa grave crise financeira. Segundo ele, seu clube não recebeu os R$ 100 mil mensais referente à cota de televisão que deveria ser pago a partir de maio, portanto, há três meses. "Tentamos fazer tudo numa boa, mas é difícil quando a gente passa tão apertado e não recebe o que tem direito. Lá no meu clube, estou sendo cobrado por atrasos de salários e dívidas com credores", esbravejou Lourencetti, apoiado pela bancada paulista, a maior na entidade com seis representantes - Guarani, Ituano, Marília, Paulista, Portuguesa, Santo André e União Barbarense.Havia uma preocupação muito grande com a permanência de Peter Silva, uma vez que em agosto ele negociaria um novo acordo com as emissoras de televisão, envolvendo quase R$ 30 milhões. A segunda eleição da entidade aconteceria em dezembro, mas será antecipada com a queda do presidente. Ele sai como entrou. Peter caiu de pára-quedas na presidência, quando se apresentou ao grupo como ex-presidente do Londrina. Na verdade, ele nunca comandou o clube paranaense, mas tinha sido apenas diretor de marketing por um curto período. Após o impeachment, Silva manteve o discurso anterior à reunião: "Há três anos ninguém queria o cargo. Agora que as coisas estão andando bem, aparecem os oportunistas". Para os dirigentes, porém, a entidade foi passada à limpo.

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