Imperador Adriano quer a 9 amarelinha

Além de Ronaldinho, eleito nesta seugnda-feira o melhor do mundo no ano pela Fifa, outro brasileiro não vai esquecer 2004 tão cedo. Aos 22 anos, Adriano explodiu: levou o Brasil ao título da Copa América, em julho, se firmou no grupo de Carlos Alberto Parreira e tornou-se, neste início de temporada, a grande sensação na Itália. Artilheiro do Italiano com 14 gols pela Inter de Milão, foi eleito pelos cronistas esportivos do país o melhor jogador em atividade no país - e, pela revista France Football, o sexto melhor da Europa. Feliz, voltou ao Brasil, para poucos dias de férias. Em entrevista em São Paulo, no escritório de seu empresário, Gilmar Rinaldi, Adriano falou da boa fase e tentou evitar a polêmica, mas não conseguiu esconder: um ano e meio antes da Copa da Alemanha, está doido para ser titular da seleção. "Meu objetivo é ter espaço na seleção. Estou trabalhando bem para, quem sabe, o professor Parreira me dar oportunidade", diz o craque.Entre brigar pela posição de Ronaldo ou por um lugar ao lado do atacante do Real Madrid, Adriano fica com as duas opções. "Estou ali, cutucando o Ronaldo. Respeito muito ele, mas tenho de pensar no meu lado profissional", afirma. "Conquistei um voto de confiança do Parreira, mas ter um lugar na seleção é muito difícil hoje. Estou brigando para ser titular, quem sabe junto com Ronaldo, Ronaldinho e Kaká. Na Inter, venho jogando com Vieri. Com certeza, se o Parreira colocar eu e o Ronaldo para jogar, vamos fazer muitos gols." A sede por vitórias é tanta que ganhou da torcida da Inter o apelido de ?Imperador?. "Acho que é porque sou forte e estou sempre lutando pela bola", diz ele. Há quatro anos jogando na Itália, Adriano afirma ter aprendido a usar melhor sua força física. "Lá, você tem de ser muito mais rápido e se movimentar mais. A força eu já tinha, mas tive de aprender a ser mais veloz", diz o atacante. "Mas, para me tornar um jogador completo, faltam algumas coisas. Principalmente melhorar a perna direita, sair mais pela direita no momento do drible. Eu não fazia, hoje já faço de vez em quando." Adriano diz que ficou lisonjeado com a indicação feita por Ronaldo recentemente para que fosse contratado pelo Real Madrid. "É muito difícil eu sair da Inter agora, mas espero fazer pelo menos a metade do que o Ronaldo fez. Se continuar assim, devagar eu chego lá", disse, bem humorado. "Tudo começou na Copa América. A final com a Argentina foi o jogo do ano para mim, com o gol no finalzinho. Muito marcante, ainda mais contra a Argentina. Depois, na Inter, dei continuidade ao bom trabalho." O atacante foi artilheiro do torneio continental com 7 gols e marcou, no último minuto, o gol do empate brasileiro na final com a Argentina, que acabou vencida pelo Brasil nos pênaltis. Desde julho, fez 32 jogos, entre a seleção e a Inter, e marcou 30 gols, média de 0,94 por partida.Após a Copa América, a Inter recusou oferta de mais de 70 milhões por Adriano, feita pelos ingleses do Chelsea. Com contrato até 2009, o craque só pensa em erguer uma taça pela equipe. "Meu objetivo é ser campeão na Inter e acabar com o jejum do time. Me adaptei muito bem aqui. É minha segunda casa. A Inter sempre me deu muita força, desde o início. No futebol, a gente nunca pode dizer o que vai acontecer em quatro anos, mas minha vontade é ficar." No Italiano, a Inter tropeçou nas primeiras rodadas e empatou 12 dos 16 jogos até aqui. Está em quarto, 15 pontos atrás da líder Juventus."O Italiano ficou um pouco difícil para nós porque Juve e Milan abriram muitos pontos. Os jogadores da nossa defesa são muito bons, mas, talvez, falte um pouco de atenção às vezes. E há muita tensão em ganhar o scudetto, talvez a gente sinta um pouco a responsabilidade", afirma.Mas, na Copa dos Campeões, Adriano acredita em desbancar o favoritismo de equipes como Barcelona, Real Madrid e Milan. "A Copa dos Campeões é o mais importante, vamos brigar pelo título." Em fevereiro, a Inter estréia na fase mata-mata contra o Porto, atual campeão do torneio. "Será um duelo perigoso. O Diego e o Luís Fabiano são jogadores que podem decidir." Adriano reconhece que o ano foi excelente. Só não foi perfeito em razão da morte do pai, Almir, em agosto. "De zero a dez, foi nota oito", diz ele. De olho no futebol brasileiro, mesmo à distância, diz que ficou chateado com a situação do Flamengo, que escapou por pouco do rebaixamento. "A dificuldade é grande, mas acho que isso passa rápido, é só um momento", afirma, sobre o clube que o revelou. O craque também aposta que o argentino Carlos Tevez, contratado pelo Corinthians, vai brilhar em 2005. "Ele é muito veloz, um grande jogador. Tem uma maneira de jogar descontraída, que fará sucesso no Brasil. A única coisa é que ele brinca muito com a bola. Talvez renderia mais com um pouco mais de seriedade."

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