Kiko Huesca/EFE
Kiko Huesca/EFE

Imposto sobre o salário de Cristiano Ronaldo sobe 6 vezes

Craque português não vai ser mais beneficiado pela Lei Beckham a partir de 2015 e Real terá que pagar a conta

O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2013 | 19h13

SÃO PAULO - Em 1848, Karl Marx e Engels, dois dos patronos da esquerda, já defendiam o imposto progressivo (aquele que aumenta conforme seu rendimento) como um dos baluartes a serem defendidos como forma de controle da economia. Não é surpresa, portanto, que no governo  do socialista José Luis Rodríguez Zapatero, o Real Madrid, um dos maiores clubes da Espanha, terá que pagar mais em impostos devido ao salário de Cristiano Ronaldo do que ao jogador. Segundo o diário Ás, o português terá um aumento de sete milhões de euros anuais na renovação de seu contrato com o time. Recebendo 17 milhões, o Ministério da Fazenda receberá a partir de 2015 devido ao IRPF (Imposto de renda para pessoa física) 18,3 milhões de euros.

Hoje, o Real paga para 3,3 milhões de euros em impostos devido ao salário do craque português. Este aumento, de seis vezes do valor, acontece devido a maneira como as leis fiscais espanholas foram estruturadas. Ronaldo é um dos últimos jogadores que se beneficia da chamada Lei Beckham, criada em 2004 durante o governo de José María Aznar com propósito de atrair profissionais de alta qualificação para a Espanha. Com a lei, estrangeiros podem tributar durante seis anos como não residentes no país. Salários astronômicos, acima dos 300 mil euros, pagam "apenas" 24,75%. O nome da lei remete ao inglês David Beckham, justamente um dos primeiros profissionais a ser beneficiado com a medida.

Esta lei foi mudada em 2010 por José Zapatero, excluindo do benefício quem tiver um salário anual superior a 600 mil euros. À época, a decisão foi bastante criticada pela LFP (a liga de futebol profissional da Espanha). A medida acaba caindo nas costas justamente dos clubes, já que nos contratos das estrelas do futebol espanhol, toda a responsabilidade fiscal é das equipes. Como a mudança na regra não foi retroativa, somente em 2015, quando Cristiano Ronaldo tiver completado seis anos na Espanha, o Real Madrid terá que gastar bem mais para manter o português.

O problema não é apenas neste caso. O outro grande nome do futebol mundial, Messi, tem uma tributação de 56% sobre o salário (não foi beneficiado pela Lei Beckham e ainda reside na Catalunha, onde o imposto é mais alto). Assim o Barcelona paga 16 milhões de euros anuais ao jogador e 20 milhões aos cofres públicos. Segundo o Às, Neymar, a mais nova estrela da constelação do time catalão, recebe sete milhões anualmente. O imposto sobre seu salário é de 8,9 milhões.

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