Imprensa italiana agora pede a cabeça de Marcello Lippi

A crise no futebol italiano chegou à seleção que vai disputar a Copa do Mundo: agora a imprensa italiana já pede a demissão do técnico Marcello Lippi. O treinador da "Azurra" também está envolvido no escândalo que vem abalando o país há mais de uma semana. Segundo os jornais, Lippi teria aceitado sugestões de Luciano Moggi, ex-dirigente da Juventus, que está no centro da crise, para escalar ou cortar jogadores da seleção.Ouvido por magistrados na sexta-feira, Lippi negou que Moggi, que pediu demissão da diretoria da Juventus em seguida à eclosão do escândalo que abrange acerto de resultados, escolha de árbitros e outras irregularidades, o forçou a selecionar jogadores para lucrar em eventuais transferências. Ele fez o depoimento como testemunha, pois seu nome foi citado em ligações telefônicas. ?Estou tranqüilo. Depois de trabalharmos juntos por oito anos, seria uma surpresa falarmos por telefone? Recebo chamadas de todas as equipes, não apenas da Juventus. E ninguém me pressionou?, declarou Lippi, de 58 anos, que assumiu o cargo na seleção em julho de 2004.Os magistrados talvez não, mas a imprensa italiana sim. Nas edições deste domingo, poucos jornais pouparam o treinador. ?Lippi na Copa do Mundo é um risco?, diz a Gazzetta dello Sport na capa. O jornal também publicou uma pesquisa apontando que 30% dos entrevistados acreditam que vai levar no mínimo três anos para o futebol italiano se recuperar das acusações de manipulação de resultados e apostas ilegais no esporte. As pessoas entrevistadas também querem que a Juventus perca seus últimos títulos.Outros jornais, como o Manifesto, Riformista e Lunità, pedem a demissão de Lippi, lembrando que será difícil para a seleção conviver com um envolvido no escândalo. Já o La Repubblica diz que ?um movimento vindo de cima, que pode ser político, resolveu pressionar para que Lippi acabe na lista daqueles que decidiram sair?.Outro problema de Lippi é que seu filho, Davide, trabalha em uma agência, a GEA World, de transferência de jogadores que também está sendo investigada. Só Lippi afirma não haver conflito de interesses.Já o ministério das Comunicações italiano se prepara para discutir o impacto do escândalo nas redes de televisão, que desembolsaram altas somas para transmitir jogos. No caso de Juventus, Milan, Fiorentina e Lazio caírem para a Série B, certamente as empresas vão querer renegociar os acordos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.