Imprensa peruana cria clima de guerra

A imprensa popular do Peru está tentando criar um clima de guerra contra o Brasil nos dias que antecedem à partida. Vale tudo, mas tudo mesmo. Baixarias, fotos montadas e até matérias mentirosas assinadas com nome de jornalistas brasileiros. O clima, entretanto não atinge a maioria das pessoas. Todos que forem ao estádio vão vaiar, xingar, ofender, mas sabem que o Brasil é o favorito para o jogo. O jornal ?Trome? é o mais grosseiro. Em sua capa, há uma composição de duas fotos. À esquerda, estão os jogadores do Cienciano comemorando um gol contra o Nacional de Medellín, na vitória por 2 a 1, na partida de quinta-feira, em Medellín. E, ao lado, está Ronaldinho comemorando um gol com a camisa do Brasil. Um pouco mais abaixo está Milene, vestindo calcinha e sutiã em uma das fotos que fez para a revista Vip. A manchete lembra que Cienciano é de Cusco, a antiga capital dos incas e que Ronaldinho está se separando de Milene. "Incas valen un Peru y que venga el venao! (Os incas valem um Peru e que venha o chifrudo!). Embaixo, o jornal afirma que o Cienciano venceu e que hoje chegaria Ronaldo, abalado pelas traições de Milene. Para os jornais, a separação de Ronaldinho é sinônimo de traição e isso é escrito de maneira chula. Sim, os "chifres" de Ronaldinho são a notícia. Estão também na capa de "El Bocón", que mostra um ambulante com um par de chifres de plástico (desses que se usa no Carnaval), oferecendo a camisa da Seleção Brasileira. "Os chifres de Ronaldo" é a manchete. A reportagem do JT e do Estado de S. Paulo descobriu o ambulante. É Richard Janot, de 27 anos. "O repórter trouxe esse chifre e pediu que eu colocasse na cabeça. Pedi 20 soles (17 reais) e eles pagaram. Posei para a foto e me arrependi. No meu bairro, estão dizendo que o chifrudo sou eu." Nas páginas internas, uma coluna assinada por "Jesus Angel" assume forma nada cristã. Pede que os peruanos gritem "chifrudo" cada vez que Ronaldinho tocar na bola. Depois afirma que Susana Werner foi a primeira a trair Ronaldinho e que seria necessário estar no aeroporto às três horas de hoje para vaiar o jogador, que deveria estar aborrcido com a traição de Milene. Ninguém aceitou o convite. Além de tentar abalar Ronaldinho, os jornais tentam colocar otimismo na população. Aproveitam a vitória do Cienciano para dizer que é possível vencer o Brasil, como eles venceram o Santos há pouco tempo. E buscam jogadores antigos que venceram o Brasil em um dia na história. Há uma matéria de duas páginas em Todosport mostrando Enrique Cassareto, autor de dois gols na vitória peruana sobre a Seleção Brasileira, por 3 a 1, em Belo Horizonte, em 1975. Cassareto fala que os brasileiros sempre foram bons, mas agora estão sendo tratado como deuses e que isso é errado. Há as fichas dos jogos em que o Brasil perdeu para o Peru. Além dos 3 a 1, um 1 a 0 em 1953, em Lima, e outro 1 a 0, este em Brasília, na partida de estréia de Bebeto na Seleção Brasileira. Mas, o pior está por vir. El Bocón traz um resumo da entrevista de Milene à revista Vip em que ela diz que recebeu muitas cantadas de jogadores italianos, amigos de Ronaldo. E a matéria é assinada, de forma mentirosa, por Luís Símon, jornalista do Jornal da Tarde. São três matérias enganando os leitores, como se o jornalista estivesse em Teresópolis trabalhando para "El Bocón".

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