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Antero Greco
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Impressões iniciais

Escrever que o Brasileiro tem equilíbrio parece chover no molhado. Sabemos disso. Soa saída fácil e mutreteira para o cronista; cá entre nós, às vezes é mesmo. Mas a edição 2016 do campeonato nacional está com jeito de embolar até a reta final. Três rodadas apenas e já está conclusão?! Sim, senhor. Pode reparar como anda o perde e ganha. E não há sequer um supertime a pintar no horizonte.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2016 | 03h00

Justiça se faça: a novidade até aqui atende pelo nome de Santa Cruz e apelido de Cobra Coral. A equipe pernambucana voltou à elite e, por enquanto, faz estragos nos rivais, diverte o público e lidera. Sete pontos, duas vitórias e um empate, 10 gols a favor e 4 contra, duas goleadas de 4 a 1. E, de quebra, tem em Grafite o artilheiro, com seis gols. Exagero só.

O Santinha se candidata, assim, ao papel de Leicester brasileiro. Tomara. Há 35 jornadas pela frente até a glória. Em tempos malucos, também no futebol, não custa sonhar com a perspectiva de igualar a proeza do nanico inglês que desbancou tubarões e levantou a taça. A rapaziada de Milton Mendes empolga e anima-se. E, se retrospecto regional valer como referência, bom lembrar que nos primeiros meses da temporada já faturou a Copa do Nordeste e o Estadual. Pensa que é pouca coisa? 

O Santa Cruz representa o diferente - e agradável. Só o tempo para mostrar se se trata de fogo de palha. Torçamos para que arda, e muito, para chacoalhar a mesmice e trair favoritos de sempre. A surra aplicada anteontem serviu, por exemplo, para escancarar a fragilidade atual do Cruzeiro. 

O bicampeão de 2013/2014 vive numa fase desgraçada. Desde o ano passado, desce a ladeira. Ao desmantelar o grupo do biênio vencedor, virou conjunto comum. Pior, tomou forma de pequeno, coadjuvante. A bola anda tão murcha que, se não se ajustar sob a bênção do técnico português Paulo Bento, logo vira candidato a inédito rebaixamento. A Raposa está um horror.

Medonho o momento do Flamengo. Se não era nada de excepcional no início do ano, virou um bando de uma hora para outra. O que se vê, nas últimas apresentações? Jogadores inseguros, torcida irritada, tropeços a se acumularem. Tudo indica, por ora, mais um ano perdido. Muricy Ramalho percebeu o ambiente pesado e, por prudência, pegou o boné, antes que lho entregassem contra vontade. O novo susto com a saúde veio a calhar como motivo sólido para bater em retirada. Ele fica de molho até se restabelecer e o mercado mostrar-se favorável. 

Inter, Grêmio, Atlético-MG, Botafogo, Fluminense? Nenhum desse bloco tradicional revela - ainda - vocação para destacar-se. Seguem o roteiro básico de uma no cravo, outra na ferradura. Para trocar em miúdos, alternam um instante de empolgação para marcar passo em seguida. O que faz a tabela virar bololô e abre perspectiva satisfatória para o quarteto de graúdos paulistas sobressair. Ou, no mínimo, para alimentar pretensões abusadas. 

O Santos se reinventa pela enésima vez, com base no talento de jovens garimpados por Dorival Júnior. O São Paulo encontra cara boa com o estilo quadrado porém eficiente de Edgardo Bauza. Até os reservas se ajustam. O Palmeiras passeia entre extremos e reafirma potencial para brigar pelo título.

Nessa cabe também o Corinthians, que no final da manhã de ontem quebrou jejum de mês e meio sem ganhar. Tite mandou a campo formação diferente diante da Ponte Preta - por opção técnica (Luciano no lugar de André) e por necessidade (Vilson e Cristian nas vagas de Balbuena e Elias, a serviço de seleções). As mudanças tiveram efeito.

O Corinthians que desfilou no Itaquerão foi objetivo e mais estável na marcação, liquidou com o desafio no primeiro tempo, ao abrir vantagem de 2 a 0, e fechou a conta com o terceiro, e bonito gol, marcado por Guilherme. Se não está no nível daquele que conquistou o título de 2015, mostra recursos para não fazer feio. Com tanto equilíbrio, as cartas estão na mesa. Para quase todos. 

 

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