Improviso e hábitos antigos marcam abertura oficial da Arena Corinthians

Ambulantes agiam no entorno do estádio; pedras e vergalhões estavam jogados pela área

Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

18 de maio de 2014 | 18h00

SÃO PAULO - Ambulantes vendendo cerveja ao lado da Guarda Civil Metropolitana. Pessoas esperando ônibus nas ruas bloqueadas. Pedras e vergalhões jogados pela área do estádio como a esperar alguma briga entre torcedores para serem usados. O que havia no entorno da Arena Corinthians no jogo contra o Figueirense, neste domingo, em partida que deve servir de teste para a Copa segundo os envolvidos na organização, era muito mais o padrão Pacaembu de improviso.

Os camelôs que não deviam passar pela área de bloqueio ainda na Radial Leste, antes da estação Artur Alvim do Metrô, vendiam cerveja a R$ 5,00 a latinha, bandeiras a R$ 40,00 - com um pouco de choro o preço caía para R$ 20 - e água por R$ 2,00. Na entrada das torcidas organizadas, desde 13 horas, as bandeiras eram estendidas no chão para a revista da Tropa de Choque da Polícia Militar. Em jogo da Copa, serão o stewards da Fifa a fazer a revista e não será permitida a presença de torcidas uniformizadas.

Sentados perto de Policiais Militares no caminho usado por quem chegava pela estação Itaquera do Metrô, jovens com a camisa da Gaviões da Fiel fumavam cigarros com o cheiro característico de maconha. Um grito único animava a torcida que chegava ao estádio. Um grito único animava todos antes da chuva: "Vai, Corinthians!".

Em todas as entradas do Itaquerão havia orientadores e voluntários para ajudar quem chegava. Orientavam sobre lugar e portão que deviam tomar. Com megafones, cada vez que terminavam de passar as informações, eles também gritavam o tradicional "Vai, Corinthians!". Até as 16 horas, início do jogo, a PM não havia registrado nenhuma ocorrência grave. E assim foi. 

TUMULTO

Só dois fatos colocaram a tropa em alerta: o primeiro foi quando se formou um pequeno tumulto na entrada do estádio porque torcedores foram à Arena sem ingresso e queriam comprar na hora. Diziam que receberam informação de que haveria venda no guichê. "Não é verdade", disse o major Luiz Gonzaga de Oliveira Junior, do 2.º Batalhão de Choque.

Perto dali, nas ruas do entorno, havia muito trânsito. O fechamento das ruas em volta do Itaquerão pegou de surpresa os moradores. "Eu mesmo vi uma senhora em um ponto de ônibus. Parei o carro e fui conversar com ela", contou o comandante do policiamento da Copa, coronel Wagner Tardelli. Segundo ele, a mulher estava ali havia uma hora no ponto e não sabia que a rua estava bloqueada, que o ônibus não chegaria.

Uma das maiores preocupações dos envolvidos com a segurança da Arena Corinthians foi a grande quantidade de pedras e vergalhões que havia no terreno do estádio. O material devia ter sido removido, mas permanecia ali, à disposição de qualquer torcedor que envolvesse em uma briga. De resto, as discussões de sempre com torcedores, como os da Gaviões que queriam estender faixas na arquibancada provisória, o que a PM não queria permitir.

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