Ueslei Marcelino/ Reuters
Ueslei Marcelino/ Reuters

Incerteza, superação e estrela de Neymar marcaram primeiro ouro olímpico do Brasil em 2016

Após dois empates de 0 a 0, seleção engrenou nos Jogos, fez 6 a 0 na semi e garantiu o lugar mais alto do pódio nos pênaltis

Da Redação, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2021 | 20h00

A campanha que levou o Brasil pela primeira vez ao topo do pódio, nos Jogos de 2016 teve elementos dignos de um roteiro de suspense: drama pelo mau futebol nos dois jogos iniciais, incerteza quando a classificação foi colocada à prova e volta por cima a partir das fases eliminatórias que culminaram com a consagração de Neymar, e o triunfo sobre a Alemanha, rival que dois anos antes aplicou a maior goleada sobre a seleção brasileira dentro do nosso quintal, na disputa por pênaltis.

Comandado pelo desconhecido técnico Rogério Micale, o Brasil iniciou a caminhada numa chave que tinha África do Sul, Iraque e Dinamarca. A fase de grupos, que para muitos era considerada barbada, acabou tornando-se um calvário. Contra os africanos, a seleção decepcionou na etapa final e chegou a levar alguns sustos. Mesmo com um homem a mais no segundo tempo, o Brasil não foi efetivo e, logo em sua estreia, teve que aguentar as vaias da torcida com o empate de 0 a 0.

O segundo capítulo dessa campanha teve contornos ainda mais dramáticos. Diante dos iraquianos, o Brasil mostrou um futebol ofensivo, mas a falta de pontaria complicou a sua atuação. Gabigol, Zeca e Renato Augusto perderam chances de abrir o placar. E o pior: Neymar, o principal nome do time, ficou muito abaixo do que dele se esperava. O segundo 0 a 0 e o risco de eliminação ainda na fase de grupos começaram a pesar nos ombros dos jogadores.

Com o ambiente de crise instalado, jogadores pressionados, e treinador questionado por não conseguir fazer a seleção jogar bem, o Brasil tirou um coelho da cartola justamente contra a Dinamarca.

 Diante de um adversário acuado, o Brasil se impôs, Neymar teve bela atuação e as coisas, enfim, foram entrando nos eixos. Gabigol abriu o placar, Gabriel Jesus ampliou. Ao invés de vaias, os jogadores foram para o vestiário sob o aplauso da torcida no intervalo. Na volta, Luan fez o terceiro e Gabigol fechou a goleada de 4 a 0

FASES ELIMINATÓRIAS E CAMINHO DO OURO

A vaga assegurada para as quartas de final e a volta do apoio da torcida mudaram a atmosfera de desconfiança que cercava não só a seleção, mas também o técnico Rogério Micale. Luan, Gabigol, Gabriel Jesus e Neymar se soltaram em campo e os Jogos do Rio-2016 passaram a ter uma seleção mais confiante e envolvente.

Com a Colômbia pela frente para chegar à semifinal, o Brasil mostrou ter evoluído desde a estreia no torneio. Caçado em campo, Neymar respondeu jogando bola e acabou coroado com um belo gol de falta. Com um esquema em que os quatro atacantes se revezavam do meio para frente, o Brasil foi o senhor da partida.  O gol de Luan, fechou as quartas de final com um triunfo de 2 a 0. A caminhada rumo ao pódio agora estava sendo pavimentada por um futebol ofensivo e criativo.

 Semifinalista, com a confiança em dia, e tendo ainda a vantagem de jogar em casa, a seleção brasileira caiu de vez nas graças da torcida ao atropelar Honduras na semifinal por 6 a 0.

Neymar justificou a responsabilidade de ser o principal nome da equipe. Marcou duas vezes e comandou as principais ações ofensivas. Gabriel Jesus que também fez dois gols e Luan, outro a balançar a rede adversária, foram destaques no jogo.

Até mesmo o zagueiro Marquinhos conseguiu deixar a sua marca. Em paz com a torcida, o Brasil também festejava o seu setor defensivo, já que o goleiro Weverton não havia sido vazado no torneio.

Garantido na briga pelo ouro olímpico, ainda mais dentro de casa, a seleção teria como adversário um rival que passou a estar entalado na garganta desde a Copa do Mundo de 2014: a Alemanha.

No outro confronto da semifinal, o time europeu passou pela Nigéria por 2 a 0. Era o desfecho mais do que esperado para poder, de certa forma, vingar, numa escala bem menor, o 7 a 1 de 2014.

BRASIL LEVA OURO INÉDITO EM PLENO MARACANÃ

Desde a sua primeira participação em Olimpíadas, nos Jogos de Helsinque, em 1952, o Brasil tinha como meta o ouro olímpico. A seleção já havia batido na trave por três vezes. E agora, diante de sua torcida, e tendo o Maracanã como palco, a chance de ficar no lugar mais alto do pódio não poderia escapar. E foi assim, diante de um estádio lotado, que Brasil e Alemanha se enfrentaram.

Os alemães, atuais campeões do mundo, eram os adversários ideais para coroar ainda mais essa conquista inédita para o futebol do Brasil.

Diante de um jogo tenso e amarrado, o Brasil saiu na frente ao melhor estilo. Falta na entrada da área para Neymar. A cobrança acertou o ângulo direito do goleiro: 1 a 0.

No segundo tempo, no entanto, os rivais descontaram. Numa trama que começou pelo lado direito, Meyer completou de primeira. Foi o primeiro e único gol que Weverton levou  na competição.

A igualdade se arrastou do tempo regulamentar para a prorrogação e foi só nos pênaltis que o campeão foi definido. E na última cobrança. Renato Augusto, Marquinhos, Rafinha e Luan converteram. A Alemanha, que também acertou seus quatro pênaltis, desperdiçou o último tiro. Coube a Neymar estufar a rede e trazer, de vez, o ouro para o Brasil.

 LOS ANGELES-84, A PRIMEIRA PRATA DO BRASIL NOS JOGOS

Com um time formado basicamente por jogadores do Internacional, entre os quais se destacavam Gilmar Rinaldi, Dunga e Mauro Galvão, a seleção brasileira teve como técnico Jair Picerni.  Na fase de grupos, a equipe brasileira alcançou 100% de aproveitamento.

Após eliminar o Canadá nos pênaltis nas quartas, o Brasil superou a Italia na semifinal. Diante de um público superior a 100 mil pessoas, o Brasil acabou perdendo a decisão do ouro para a França ao ser derrotado por 2 a 0. Foi a primeira medalha do futebol masculino nos Jogos.

COM ROMÁRIO E BEBETO BRASIL VOLTA SEM O OURO SEUL 88

Quatro anos depois, em Seul, o Brasil levou um time bem mais forte. Taffarel, Jorginho, Bebeto, Romário, Andrade, Neto e Geovani eram alguns dos destaques daquela equipe.

Da fase de grupos até as quartas de final, o Brasil obteve quatro vitórias e venceu todos os seus compromissos. Na semifinal, brilhou a estrela de Taffarel na decisão por pênaltis. Na decisão, porém, a seleção acabou tomando uma virada de 2 a 1 da então URSS e voltou para casa novamente com a medalha de prata.

BRONZE EM ATLANTA  E SURGIMENTO DO FENÔMENO

Após duas pratas, a obsessão pela medalha de ouro ganhou força nos anos 90. Em Atlanta, Zagallo levou uma geração que tinha Roberto Carlos, Rivaldo, Juninho e Ronaldo, que a partir daquele ano, se tornaria o Fenômeno pelos gols no Barcelona.

Na fase de grupos, veio a derrota na estreia para o Japão. Apesar do susto, a seleção se garantiu na chave, passou por Gana nas quartas de final. Faltava um jogo para brigar pelo ouro, mas a Nigéria estragou tudo. O time africano derrotou o Brasil por 4 a 3, com um gol de Kanu anotado na morte súbita. Na disputa do bronze, uma goleada de 5 a 0 sobre Portugal garantiu a terceira medalha.

 EM PEQUIM, QUEDA NA SEMIFINAL E OUTRO BRONZE

Mais do que voltar a frequentar o pódio, o ouro olímpico seguia como prioridade para a CBF. O técnico da vez para tentar cumprir tal missão era o ex-volante Dunga. Nesta seleção, que tinha nomes como Alexandre Pato, Hernanes e Thiago Neves, a estrela da companhia era Ronaldinho Gaúcho. O Brasil cumpriu a sua missão na fase de grupos, terminou como líder da chave e também passou pelas quartas ao derrotar Camarões.

A queda, porém, veio justamente para o maior rival: a Argentina. Os hermanos aplicaram um 3 a 0 na semifinal e restou ao Brasil buscar o terceiro lugar. O bronze veio num triunfo sobre a Bélgica de 3 a 0 com gols de Diego e Jô (2). Mais uma vez o sonho do ouro ficou pelo caminho.

FINAL OLÍMPICA  E QUEDA PARA O MÉXICO EM LONDRES 2012

 A Olimpíada de Londres foi a primeira do craque Neymar com a seleção brasileira. Mano Menezes era o treinador incumbido de fazer a seleção voltar a disputar uma final olímpica. Marcelo, Gilberto Silva, Leandro Damião e Oscar estavam no time que fez uma bela campanha até a final. A equipe de Mano Menezes fez três gols em todos os jogos que realizou na Olimpíada e chegou para decidir o ouro com cinco vitórias em cinco partidas. Nas fases eliminatórias, derrotou Honduras por 3 a 2 nas quartas e a Coréia do Sul por 3 a 0 na semi. Na disputa pelo ouro, no entanto, o México levou a melhor e venceu a decisão por 2 a 1. Mais uma vez, o Brasil voltou para casa com a medalha de prata.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.