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Paulo Calçade
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Incrivelmente bom

A marca do São Paulo de Juan Carlos Osório é a instabilidade, como instáveis ainda são suas escalações. Dois contra-ataques derrubaram o último mandante invicto do Campeonato Brasileiro, mas isso não quer dizer que o time tenha ido a Porto Alegre para especular, à espera de um acidente gremista para transformá-lo em vitória. Parece, mas não é. Osório conhece bem as necessidades do adversário e o estilo implantado por Roger, desde a saída de Felipão.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2015 | 03h00

O Grêmio não tem medo, não joga por uma bola, prefere o ataque, mas sem perder seu DNA defensivo, construído com organização tática e disposição física.

A derrota remete imediatamente à terrível sequência de partidas, que vai consumindo a energia dos concorrentes do Brasileirão. O rodízio de jogadores torna o São Paulo fisicamente superior à maioria, embora Osório ainda persiga a construção ideal que, se um dia vier, não será obra de uma formação repetida sistematicamente. Seu time não tem 11, a meta é ter pelo menos 22. Isso explica a dificuldade para desenvolver uma nova mentalidade futebolística nos jogadores e no clube. Depois de sair desorientado da Vila Belmiro, na quarta-feira, o São Paulo acreditou na velocidade para derrotar os gaúchos.

Osório plantou Breno na proteção aos zagueiros e esquematizou um meio de campo mais leve, com Thiago Mendes e Carlinhos. Próximo da área, Ganso foi o distribuidor da bola para a velocidade de Pato e de Michel Bastos, abertos pelos lados do campo.

O São Paulo ainda é irregular, está longe do ideal e trata mal um treinador que não foi devidamente informado sobre a crise que precisaria gerenciar. Osório continua exibindo sua competência e fez o que 12 concorrentes ainda não haviam conseguido, derrotou o Grêmio em Porto Alegre.

E, de quebra, deu uma forcinha ao Corinthians, assim como fez também o Cruzeiro de Mano Menezes ao empatar com o Atlético Mineiro. O Brasileirão, apesar dos erros de arbitragem, continua incrivelmente bom.

Árbitro de vídeo. Não é uma ideia ruim. Mas também não significa o fim das trapalhadas na arbitragem. A má fase do apito brasileiro é resultado de uma série de problemas. A análise eletrônica deve consertar a maioria, mas não vai eliminá-los.

A solicitação feita pela CBF, para o Brasileirão do ano que vem, depende de autorização da Fifa. Diante do volume de erros produzido no campeonato, a medida parece uma grande solução, a salvação.

Mas antes seria prudente testá-la em competição menor, num torneio sub-20, por exemplo, para depois colocá-la em prática em partidas profissionais, eliminando suas distorções.

O material de trabalho do árbitro de vídeo é a imagem da televisão. Em comunicação permanente com seus colegas do campo, certamente poderá corrigir defeitos que adulteram placares.

Parece simples, afinal todas as partidas da Série A são transmitidas ao vivo. Em tese, basta uma adaptação à estrutura já existente. O que pouca gente sabe, no entanto, é que as transmissões não são padronizadas, pois dependem de tecnologia, de bons estádios e de custo.

Para o sistema funcionar, todos os jogos deverão oferecer os mesmos recursos técnicos. Não seria justo analisar um lance com oito câmeras e outro similar com apenas três. Quem vai pagar a conta?

A medida da CBF é uma resposta aflita às reclamações dos clubes. O futuro da arbitragem e do futebol está mesmo nesse tipo de ferramenta. Hoje sabemos até a cor do cadarço da chuteira do jogador, enquanto o árbitro agoniza por não ter visto a mão na bola. 

Não adianta, porém, tentar criar uma nova era na arbitragem enquanto os detentores do apito não se prepararem adequadamente para a função, como profissionais de verdade e não de mentirinha.

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