Indefensável calendário

Calendário já coloca técnicos e times na correria. Começou o salve-se quem puder

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2018 | 04h00

São apenas as primeiras rodadas, os times seguem incompletos, os Estaduais perderam importância, jogadores não fizeram pré-temporada adequada, alguns ainda buscam a boa forma. Há técnicos que assumiram neste início de ano e sequer contaram com um período razoável para preparar os elencos taticamente.

É grande a quantidade de argumentos que podem ser apresentados para lembrar aos mais afoitos que esses jogos disputados há seis dias pelos certames regionais não têm tanto peso. Reflexo de uma queda de relevância dessas competições e do aperto no calendário brasileiro, ainda mais em ano de Copa do Mundo.

E seria possível chegar a algumas conclusões até mesmo antes dessas pelejas que ocupam os primeiros dias da temporada. No Corinthians, por exemplo, nem seria necessário esperar a partida de estreia (derrota para a Ponte Preta por 1 a 0) para se concluir que é preciso achar um centroavante.

O turco inglês Colin Kazim-Richards não reúne condições para integrar o elenco do campeão brasileiro, algo perceptível há pelo menos um ano. Ele começou 2017 titular e logo perdeu posição para Jô, que ao rumar para o Japão deixou o técnico Fábio Carille com um problema nas mãos. Problema que Kazim não resolverá.

Na peleja contra os ponte-pretanos, o atacante mal pegou na bola (foram apenas 11 passes em 90 minutos), tentou uma finalização (fora do alvo) e deu vários sinais de que não é capaz de acompanhar o time. Melhor buscar uma solução dentro do elenco, seja Lucca ou Júnior Dutra.

Também não há motivos para se iludir com o início tranquilo e calmo do estrelado Palmeiras. Roger Machado terá muito trabalho até colocar a equipe nos eixos. Há claro desequilíbrio técnico entre os jogadores disponíveis para a defesa e os que atuam do meio para a frente. O trabalho é desafiador.

Entre meias ofensivos e atacantes há uma infinidade de opções, Lucas Lima, Dudu, Borja, Keno, William, Scarpa, Guerra, Deyverson, Hyoran, Michel Bastos… Mas os zagueiros são jovens e ainda sob observação, exceto Edu Dracena, veterano e lento se comparado a Mina, que foi para o Barcelona, deixando imensa lacuna.

Laterais contratados para 2018, tanto Marcos Rocha como Diogo Barbosa se notabilizaram em seus ex-clubes por serem ofensivos e bons cruzadores. Será árdua a missão dos volantes, entre eles outro veterano, Felipe Melo. Posicionamento, jogo coletivo, preenchimento dos espaços, há muito a ser feito.

O São Paulo começou com garotos enquanto o time titular trabalhava sob o comando de Dorival Júnior. O treinador deixou clara sua disposição de colocar em campo sua força máxima quando mais afinada, ajustada. Mas não vencer jogos de cara ante equipes menores pode lhe causar problemas. Por mais que existam argumentos como os que abrem este texto.

Os são-paulinos não ganham o Estadual há 13 anos e nas nove últimas temporadas ergueram apenas uma taça (Copa Sul-americana 2012). Os torcedores passaram 2017 angustiados com a ameaça de rebaixamento e a melhor maneira de manter a situação sob controle é evitando tropeços, mesmo que não sejam tão relevantes assim.

Com estratégia diferente da adotada no São Paulo, Jair Ventura colocou o Santos com o que tinha de melhor já na primeira partida. Começou 2018 buscando ajustar a equipe enquanto disputa três pontos. Um dos novos treinadores do futebol paulista, o ex-botafoguense não se atreveu a correr riscos.

Ele já entendeu que Estadual não é mais tão importante, mas derruba “professores”. Todos sabem que é preciso tempo, mas na prática não se dá tempo a ninguém. Contradições do nosso confuso futebol e seu indefensável calendário.

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