Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Independentemente do resultado da final do Estadual, o São Paulo deixa para trás sua fase ruim

Com Cuca, alguns bons reforços e uma molecada esperta, time recupera prestígio e faz as pazes com a torcida para o segundo semestre

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 18h28

 

Caro leitor,

Neste capítulo 6 da Crise do São Paulo, que me propus a relatar e a discutir aqui com você, desde lá atrás, com as derrotas seguidas do time, trocas de técnicos e desconfiança da torcida, proponho descaracterizar o nome que batizou a coluna por entender que o São Paulo não está mais em crise, independentemente do resultado da final do Campeonato Paulista contra o Corinthians no domingo, 21. O São Paulo não é mais uma equipe sem rumo, com o vestiário sem comando ou com comando errado, um time cuja torcida dá as costas. Essa fase ficou para trás, embora ainda haja a necessidade de ganhar titulos. Sempre.

De agora em diante, com Cuca no comando e com algumas boas contratações, como Tchê Tchê e Alexandre Pato, que já treinam e até fazem jogo-amistoso, e a boa safra dos meninos que ganharam chance, o São Paulo renasceu e vai encarar o segundo semestre, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, com mais valentia e personalidade. Pelo que vimos nas últimas apresentações e pela nova condição, o time será muito mais competitivo. Há acertos e correções, mas nem de longe o São Paulo lembra o time do começo do ano.

Cuca chegou com a dose certa de envolvimento, medindo as palavras e pesando bem as consequências das partidas. Ele disse, por exemplo, que o empate com o Corinthians sem gols no Morumbi não acabou com a decisão para o jogo de volta na casa do rival, em Itaquera. O elenco precisava ouvir isso. Fosse em outra época não muito distante, o desânimo teria tomado conta dos atletas. Agora há sempre uma dose de esperança. Ela está no ar, na fisionomia desses meninos que assumiram o time. Dessa forma, mais ponderado, o treinador também retoma as rédeas do vestiário e corta as asas dos que não estão a fim de correr para o mesmo lado.

Em meio à nova condição, o São Paulo coleciona momentos importantes e volta a sorrir, ainda timidamente, mas volta. O clube divulgou venda antecipada de 53 mil ingressos antes da primeira partida contra o Corinthians pela final do Estadual. Quase 60 mil estiveram no Morumbi e mesmo com o empate a torcida continuou apoiando o time. Hudson completou cinco anos no clube e festejou. Ele não teve vergonha de comemorar. A fase é outra. Até uma camisa nova foi lançada, uniforme personalizado com as conquistas da equipe. Antes, não havia clima para isso. Agora há.

Os meninos se juntaram aos jogadores mais experientes e formaram um time. Com as chegadas dos reforços (eles não jogaram o Estadual), o São Paulo está muito mais forte. Foram contratações pontuais e acertadas. Raí afirmou que não há negociações encaminhadas, o que quer dizer que muito provavelmente o São Paulo não fará mais contratações. O desafio é segurar seus meninos, conforme informou o Estado recentemente. Alguns contratos foram refeitos com multas rescisórias mais altas. Propositalmente para que ninguém deixa o clube.

Minha proposta, caro leitor, é continuar relatando as coisas do São Paulo com um novo viés, de equipe que se recuperou na temporada e que tem melhores condições de conquistar alguma coisa no segundo semestre.        

 

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