Acervo Centro Pró-Memória do CAP
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Inédito até hoje, tetra estadual do Paulistano completa 100 anos

Clube conquistou o Campeonato Paulista quatro vezes consecutivas, em 1916, 1917, 1918 e 1919

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 04h30

Há exatamente 100 anos, no dia 21 de dezembro de 1919, o Paulistano se sagrava tetra campeão paulista de futebol. Até hoje nenhum outro time conseguiu o feito de conquistar o Campeonato Paulista quatro vezes consecutivas. O Corinthians, atual tri, terá a chance de repetir a façanha em 2020. 

Fundado no fim de 1900, o Paulistano foi referência no início do futebol brasileiro. Foram 11 títulos estaduais conquistados entre 1905 e 1929. Atualmente, porém, não disputa campeonatos de futebol profissional. O clube fica localizado no Jardim América, bairro nobre de São Paulo, e conta com milhares de sócios. 

O feito inédito até hoje poderia ser maior, mas o penta em 1920 escapou. O responsável por acabar com a sequência do Paulistano foi o Palestra Itália, hoje Palmeiras, que venceu o na época chamado "jogo-desempate" por 2 a 1 e ficou com o título.

O Campeonato Paulista de 1929 foi o último disputado pelo Paulistano. A diretoria do clube na época decidiu que era hora de abandonar o futebol, que passava por período de ascensão do profissionalismo. Grande parte da equipe se uniu a jogadores da Associação Atlética das Palmeiras, campeã em 1909, 1910 e 1915. Formaram, em 1930, um novo time, o São Paulo Futebol Clube.

A história do tetra

Ao fim da temporada de 1915, o Paulistano sofreu duro golpe, com a perda do Velódromo, negociado pelos proprietários e, na sequência, demolido. O clube viu seu quadro de associados diminuir para 30 contribuintes e quase desapareceu. O time de futebol, porém, permaneceu ativo, sendo fator fundamental para o ressurgimento do clube.

Em 1916, a equipe mandou suas partidas no Estádio da Floresta e, com campanha de nove vitórias, um empate e duas derrotas, ficou com o título. A conquista foi alcançada na Vila Belmiro, em goleada sobre o Santos, por 5 a 2.

Em 1917, ainda sem sede própria, o Paulistano usou novamente o campo da Floresta. Após 12 triunfos, três empates e uma derrota, superou os fortes rivais e levou, de forma definitiva, a taça Jockey Club, pelos êxitos em 1913, 1916 e 1917.

Para 1918, o clube recebeu dois grandes reforços: a sede do Jardim América e Arthur Friedenreich, melhor atacante da primeira era do futebol brasileiro. Com 25 gols nos 14 jogos em que atuou, o craque foi fundamental para a acirrada disputa do Estadual. O Paulistano fechou a competição com 13 vitórias e três derrotas, um triunfo a mais do que o Corinthians, que acabou com vice. 

O torneio de 1918 acabou marcado por sua paralisação, causada pela epidemia da gripe espanhola. O Paulistano não jogou de 29 de setembro a 15 de dezembro, e o título foi comemorado apenas na última rodada, já em janeiro de 1919, com goleada por 7 a 0 sobre a Associação Atlética das Palmeiras.

Em 1919, o Paulistano começou mal o campeonato. Nas seis primeiras rodadas, duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Na sequência, porém, uma arrancada de 12 triunfos seguidos. Friedenreich liderou o ataque novamente, com 26 gols. O Palestra Itália foi batido por um ponto, graças à goleada de 4 a 1 contra o Corinthians, na rodada final. 

Façanha é lembrada

Neste ano, o Paulistano preparou uma série de eventos para comemorar os cem anos do tetracampeonato. Em março, na abertura do Campeonato Interno das categorias de base, crianças e familiares puderam admirar os troféus e aprender mais sobre o feito. As taças Jockey Club (de 1916 e 1917) e Cidade de São Paulo (1918 e 1919) ficam na sala da presidência do clube.

Em abril, a Federação Paulista de Futebol, representada por Reinaldo Carneiro Bastos, presidente, e Mauro Silva, campeão do mundo em 1994 e vice-presidente da FPF, visitou o Paulistano para entregar placa em celebração ao centenário da façanha ainda única. Por fim, em outubro, o clube preparou uma exposição sobre o tetra. 

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