Reuters
Reuters

Infantino condena Superliga e defende diálogo ao invés de punições aos clubes

Presidente da Fifa considera que eventuais sanções devem ser impostas, 'em primeiro lugar', pelas autoridades nacionais

Redação, Estadão Conteúdo

05 de maio de 2021 | 10h37

O presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, defendeu nesta quarta-feira o diálogo para uma reforma do futebol, em detrimento da imposição de sanções aos clubes que tentaram criar a Superliga Europeia, projeto que não chegou a avançar. Em entrevista ao jornal francês L'Equipe, referiu que "algumas ações devem ter consequências e todos devem assumir as suas responsabilidades", mas acrescentou: "Devemos ter sempre cuidado ao falar de sanções (...). Diz-se com muita facilidade que devemos punir, às vezes é até uma atitude populista".

Infantino voltou a classificar de "inaceitável" e "inimaginável" a criação de uma Superliga Europeia, anunciada no último dia 18 por 12 clubes de Inglaterra, Espanha e Itália, à revelia da Uefa e das federações nacionais, que foi suspensa dois dias depois.

O dirigente considerou que eventuais sanções devem ser impostas, "em primeiro lugar", pelas autoridades nacionais, depois pela Uefa e, finalmente, pela Fifa. "Ao punir um clube, punem-se também jogadores, treinadores e torcedores, que nada têm a ver com isto", disse, acrescentando: "Prefiro sempre privilegiar o diálogo em detrimento do conflito, mesmo nas situações mais delicadas".

O presidente da Fifa defendeu que "é preciso ouvir todos" para perceber como o futebol chegou "ao atual estado" e insistiu na necessidade de reformas, algumas já em andamento, em várias áreas, como o mercado de transferências e o limite nas comissões dos empresários.

Infantino abordou também a importância de promover "a estabilidade econômica" e o "equilíbrio competitivo", que envolve temas como "a criação de limites salariais e de transferências".

O projeto de criação da Superliga Europeia foi anunciado por Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, Barcelona, Internazionale, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham, à revelia da Uefa, federações nacionais e vários outros clubes. A competição deveria ser disputada por 20 clubes, 15 dos quais fundadores - apesar de só terem sido revelados 12 - e outros cinco qualificados anualmente.

As críticas surgiram de imediato e de vários setores do futebol, com a Uefa garantindo que iria excluir todos os clubes que integrassem a competição, e o projeto acabou por ser suspenso dois depois de ter sido apresentado, com os clubes ingleses a serem os primeiros a anunciarem o abandono.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.