Felipe Trueba/EFE
Felipe Trueba/EFE

Infantino defende substituição de presidente da CBF após mal-estar em eleição

Coronel Nunes é responsável por saia-justa ao votar na candidatura do Marrocos para sediar a Copa de 2026

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2018 | 19h54

O presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, defendeu que os dirigentes brasileiros afastem do comando da CBF o coronel Antônio Nunes. A gota d'água foi a votação para a escolha da sede da Copa do Mundo de 2026. Coronel Nunes havia se comprometido a votar com toda a América do Sul na candidatura tripla da América do Norte - Estados Unidos, Canadá e México -, mas acabou votando pela campanha no Marrocos. Os americanos ganharam a disputa, mas o voto do dirigente brasileiro causou um profundo mal-estar.

+ Voto do Brasil na candidatura do Marrocos aprofunda descrédito sobre a CBF

+ Investigada após escândalo, Copa na Rússia é aposta da Fifa para abafar sua crise

Em uma conversa já pela noite desta quarta-feira com dirigentes brasileiros em Moscou, Gianni Infantino se mostrou inconformado com a saia-justa causada pelo presidente da CBF. Para o suíço, uma federação da dimensão de maior futebol do mundo não pode ter em seu comando um dirigente como coronel Nunes. O teor da conversa foi revelado por um dos dirigentes que participou do encontro informal em um dos hotéis de Moscou.

O coronel Nunes assumiu a CBF depois que Marco Polo Del Nero foi banido do futebol por toda a vida pela Fifa acusado de receber propina e suborno. O dirigente ocupa o cargo apenas até que o presidente eleito, Rogério Caboclo, assuma a posição, em abril de 2019. A opção por ele foi para evitar dar o cargo a outros dirigentes na fila sucessória, mas que estavam amplamente implicados em suspeitas de corrupção.

O gesto do coronel Nunes na votação jogou um banho de água fria nas pretensões de Rogério Caboclo de apresentar uma "nova CBF" ao mundo. Apesar de ser considerado apenas como um presidente fachada entre os próprios dirigentes, a situação deixa uma saia-justa entre os brasileiros. Nunes, como chefe, não pode ser afastado por tomar uma decisão que justamente cabe ao presidente. Já o medo dos demais é de que ele acabe demitindo Caboclo ou frustrando os planos de transição.

 

O constrangimento deve continuar nesta quinta-feira. A Conmebol abrirá a sua "casa" em Moscou e dirigentes brasileiros tentam evitar que coronel Nunes vá até a reunião e coletiva de imprensa. Ele, porém, afirmou que estará presente.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.