Paulo Pinto/AE
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Infantino diz que Fifa deve reconhecer títulos intercontinentais como mundiais

Conmebol recebe apoio da Europa. Mas sul-americanos não incluíram o título de 1951 do Palmeiras na solicitação

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2017 | 14h10

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, acredita que a proposta da Conmebol de que a entidade internacional reconhece os títulos intercontinentais de clubes como campeonatos mundiais deve ser aprovada.

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Em declarações ao Estado, o suíço apontou que o projeto tem chances de passar. "Provavelmente será aprovado", disse. A ideia ganhou força quando recebeu o apoio da Uefa. O pedido, porém, começa a contar a partir de 1960 e não inclui o Mundial que o Palmeiras reivindica de 1951.

A reunião do Conselho da Fifa ocorre a partir de meados da semana na Índia. Fatma Samoura, secretaria da entidade, indicou que espera que as partes conversem para que se chegue a um consenso.

O Estado apurou que a Europa já indicou à Conmebol que está disposta a apoiar a ideia, inclusive para valorizar seus próprios clubes que, ao longo de décadas, também foram campeões.

Se os sul-americanos insistem com a ideia, a Conmebol diz não ter argumentos para defender que torneios antes de 1960 sejam considerados como oficiais. Alejandro Domingues, presidente da entidade, explicou ao Estado que o ano de 1960 foi escolhido por conta do início também da Taça Libertadores das Américas e que define quem era o representante da região numa disputa mundial. 

Seriam beneficiados com essa decisão o Flamengo, Grêmio, São Paulo e o Santos

Para 1951, porém, o Mundial que o Palmeiras alega ter vencido ocorreu quando a Libertadores ainda não existia. 

Por uma questão comercial e de marca, a Fifa apenas quer que os vencedores dos torneios a partir de 2000 sejam “considerados oficialmente pela Fifa como campeões mundiais de clubes”. 

Num comunicado, a entidade máxima do futebol afirma que reconhece o torneio vencido pelo clube paulista nos anos 50 como o primeiro campeonato de clubes de dimensão mundial e os demais, disputados em jogos de ida e volta e mesmo em Tóquio. Mas esclarece que são apenas aqueles que venceram o torneio a partir de 2000 que são considerados pela entidade como oficialmente “campeões mundiais de clubes”.

Diplomática, a Fifa não deixa de dar certo valor aos torneios que existiam antes de 2000. Mas nunca os tratando como competições ou títulos oficiais.  

Não é a primeira vez que o pedido é feito pelos sul-americanos. Às vésperas da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, a Fifa fez um gesto a um pedido encampado pelo então ministro dos Esportes, Aldo Rebello. 

“Em seu encontro em São Paulo no dia 7 de junho de 2014, o Comitê Executivo da Fifa concordou com o pedido apresentado pela CBF para reconhecer o torneio de 1951 entre os clubes da Europa e da América do Sul como a primeira competição de clubes de dimensão mundial, e o Palmeiras como seu vencedor”, disse. 

“A Fifa reconhece e valora as iniciativas de estabelecer competições de clubes de dimensões mundiais ao longo da história”, disse a entidade no ano passado. “Esse foi o caso de torneios envolvendo clubes europeus e sul-americanos, como a pioneira Copa Rio, jogada em 1951 e 1952, e a Copa Intercontinental”, afirmou. 

Apesar dos elogios, a entidade esclarece que não pode conceder sua chancela de "oficial" a essas iniciativas. “Entretanto, não foi até 2000 que a Fifa organizou o estreante Mundial de Clubes da Fifa, com representantes de todas as seis confederações”, explicou. “Os vencedores dessa competição, que passou a ser organizada anualmente a partir de 2005, são aqueles considerados oficialmente pela Fifa como campeões mundiais de clubes”.

*última atualização às 17h45.

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