Jorge Adorno/Reuters
Jorge Adorno/Reuters

Infantino diz que jogos na Copa poderão ser suspensos em caso de racismo

Presidente da Fifa afirma que os árbitros estão sendo orientados a agir neste sentido

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 18h06

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, alertou que partidas da Copa do Mundo na Rússia poderão ser suspensas caso atos de racismo ou discriminação sejam observados nos estádios do Mundial. Num vídeo publicado pela Fifa, o suíço deixou claro que os árbitros estão instruídos a tomar decisões neste sentido.

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"Teremos procedimentos claros para lidar com discriminação, incluindo um processo de três partes pelos árbitros que poderão parar, suspender e mesmo abandonar uma partida", disse.

"Teremos um sistema de monitoramento, incluindo sanções disciplinares imediatas se algo ocorrer", garantiu. Segundo ele, "todos estão preocupados" com as "sérias consequências" que tais atos terão.

Na semana passada, observadores registraram uma alta no número de incidentes racistas e homofóbicos no futebol do país anfitrião do principal torneio do futebol. Seleções como a da Inglaterra, com jogadores negros, já informaram seus atletas sobre o risco de haver algum tipo de manifesto racista.

Um estudo publicado pelas entidades Fare Network e Sova Center indica que, ainda que a discriminação de uma forma geral tenha dado sinais de queda, os casos de racismo registraram elevação em 2018. No total, 19 incidentes foram identificados na temporada 2017/2018. Em 2016/2017, apenas dois casos tinham sido registrados, contra dez entre 2015 e 2016.

As entidades são parceiras da Fifa e da Uefa no monitoramento do racismo no futebol, mas criticaram os organizadores da Copa por terem "perdido a oportunidade" de mudar a cultura do futebol na Rússia.

A xenofobia da torcida russa foi sempre um elemento de preocupação entre os organizadores da Fifa. Mas, para os dirigentes de Moscou, esse problema não existiria e não seria diferente do que já é a realidade em outros países europeus. Agora, porém, o levantamento aponta para o fato de que esse comportamento parece ser cada vez mais comum nas arquibancadas.

Um dos casos mais emblemáticos envolveu o goleiro Guilherme Marinato. Nascido no Brasil e naturalizado russo, ele foi alvo em duas ocasiões de sons imitando macaco enquanto jogava pelo Lokomotiv Moscou, contra o Spartak Moscou. "Banana, banana. Por que diabos a seleção russa precisa de um macaco?", atacaram os torcedores.

 

Guilherme chegou a participar da Copa das Confederações pela seleção russa em 2017. Ele ainda foi o primeiro jogador fora dos territórios da ex-União Soviética a defender a seleção do país.

Em março, os jogadores da seleção francesa também foram alvos de ataques racistas e sons que imitavam macacos durante amistoso contra a Rússia. A federação russa acabou sendo multada em US$ 30 mil (cerca de R$ 110 mil, na cotação atual) pela Fifa.

PREPARAÇÃO

Infantino, porém, garante que a Rússia está "100% preparada" para receber a Copa do Mundo e que as obras estão concluídas. Em sua primeira Copa como comandante do futebol mundial, o suíço garante que o "mundo irá ver como os estádios são lindos e como a organização vai funcionar".

Sobre a segurança, Infantino se mostra tranquilo. "As autoridades sabem da importância disso, e os russos trabalharão em cooperação com governos de todo o mundo", disse. "Se alguém estiver pensando em ir para a Rússia para criar problemas, então é melhor que fique em casa", disse.

Outra novidade da Copa será o uso do vídeo para a assistência aos árbitros. "Não vai resolver 100% dos problemas", afirmou. "Mas precisamos ajudar o árbitro. Não pode mais ser que todos em casa ou no estádio saibam de um erro grave e só o árbitro não saiba", disse. "Isso vai trazer mais justiça ao jogo", completou.

 

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