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Patrick Smith/ AFP
Patrick Smith/ AFP

Infectologista explica quais são os maiores riscos aos jogadores de futebol no retorno aos gramados

“O grande problema está na proximidade, na distância reduzida entre as pessoas e no cuidado", afirma Renato Grinbaum 

Raul Vitor, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 08h00

A exemplo do que ocorre em alguns países da Europa e Ásia, o futebol brasileiro ensaia dar seus primeiros passos após quase dois meses de suspensão das competições nacionais por causa da pandemia do novo coronavírus. Goiás e Atlético-GO confirmaram que vão restabelecer a rotina de treinos presenciais a partir do início de maio. Nenhum outro time brasileiro se manifestou nesse sentido por enquanto. As férias dos jogadores acabam no fim de abril. Mas será que é seguro retornar aos treinamentos nesse estágio da doença? O Estado conversou com Renato Grinbaum, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a respeito dos riscos que os atletas estão expostos ao acelerar a volta das atividades.

"Os problemas que eles enfrentarão não estão diretamente ligados ao esporte. Em primeiro lugar, o contato físico, o suor em si, não é tão importante, mas, inevitavelmente, num esporte coletivo, existe a proximidade das pessoas. Um jogador está marcando o outro, então existe a possibilidade de uma contaminação respiratória. Até mesmo com as mãos ele pode se infectar. Esse contato físico indireto, não pelo suor, mas pelas vias respiratórias, existe e faz com que o atleta corra o risco de contrair o vírus", explicou o infectologista.

Para o membro do SBI, a musculação não traz tantos riscos de contaminação, uma vez que os treinos são individualizados, ou seja, não causam aglomeração. Com o cenário também torna-se mais fácil manter a higiene dos equipamentos. O usor, como disse o especialista, não transmite o vírus. Porém, Grinbaum faz um alerta para a ocupação do vestiário, onde os atletas se reúnem antes e depois das sessões de treinamento.

"O grande problema está na proximidade, na distância entre as pessoas e no cuidado, especialmente, com as maçanetas das portas e com as torneiras, por exemplo. Sempre que possível, o jogador deve manusear a torneira com um papel toalha descartável e tentar, ao máximo, evitar levar a mão a boca após tocar na torneira suja", disse.

Ainda não há previsão para que o futebol retorne no Brasil, mas como o próprio governo federal indicou uma flexibilização dos isolamento social, é provável que, em alguns Estados, equipes iniciem o retorno de suas rotinas de treinamento. A maioria dos clubes brasileiros deu férias para seus atletas até o fim de abril. Entretanto, existe a possibilidade do prazo ser prorrogado por mais um período. O Brasil conta com mais de 50 mil casos de coronavírus detectados e já são mais de 3 mil mortos.

No futebol, o primeiro passo é retomar as sessões de treinos para, em seguida, voltar a disputar as partidas dos campeonatos. Em principio, os estádios terão portões fechados, sem a presença de público. Essa abertura se daria gradativamente de acordo com o cenário da doença no País.

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