Influência de Lopes é cada vez menor

Nome de prestígio, com um currículo vasto de grandes conquistas no futebol brasileiro, o coordenador-técnico da seleção brasileira, Antonio Lopes, é cada vez mais figura discreta na rotina da Granja Comary. Ele veste o uniforme todo dia cedo e é o primeiro a surgir na ampla área da concentração para longa e ritmada caminhada, a maioria das vezes sem companhia. Depois, volta-se para o restante da comissão, em especial para Felipão e passa a observar os treinos.Algumas vezes, Antonio Lopes pode ser flagrado, em meio a um treino tático, contemplando o belo cenário montanhoso e florido de Teresópolis. Dificilmente se dirige aos jogadores e, em campo, conversa o mínimo possível com Scolari e auxiliares.Antonio Lopes foi designado pela CBF para escolher o substituto de Wanderley Luxemburgo na seleção. Fez vários convites, um deles a Scolari, e, diante das recusas, recorreu a Leão.Até então, mantinha-se na linha de frente da comissão técnica. Com a derrocada de Leão, Lopes começou a ter seu poder reduzido. O maior exemplo disso se revelou na maneira como a CBF acertou com o novo treinador. O presidente da entidade, Ricardo Teixeira, fechou o negócio sem comunicar o coordenador, encarregado de anunciar a demissão de Leão ainda no Japão, depois da péssima campanha do Brasil na Copa das Confederações. Ainda no vôo de Tóquio ao Rio, Lopes dizia que teria uma reunião com Teixeira para a definição do novo treinador. No entanto, a vinda de Scolari já estava definida pela CBF.O coordenador explicou que sua função é a de manter um elo entre a comissão técnica e a CBF. "Converso com o Ricardo (Teixeira) por telefone e passo a ele tudo o que está acontecendo." Acrescentou que costuma analisar os adversários e o trabalho tático e físico do grupo. "Faço nosso comentário e o Scolari logicamente está ouvindo. Mas a palavra final é sempre dele."

Agencia Estado,

22 de junho de 2001 | 19h21

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