EFE/EPA/Friedemann Vogel e Jennifer Lorenzini/Reuters
EFE/EPA/Friedemann Vogel e Jennifer Lorenzini/Reuters

Inglaterra e Itália reeditam final da Eurocopa agora pela Liga das Nações em fases distintas

Ingleses encaram oscilações na preparação para a Copa do Mundo do Catar neste ano, enquanto italianos aceleram processo de reconstrução após derrota por 3 a 0 para a Argentina na Finalíssima

Pedro Ramos, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2022 | 20h00

Inglaterra e Itália fizeram uma aguardada final da Eurocopa em 2021 e, 11 meses depois, agora pela Liga das Nações, o reencontro entre os dois será em uma atmosfera bastante diferente. Enquanto os ingleses viveram o êxtase de chegar à uma decisão após 56 anos e encaram questionamentos pela oscilação em campo, os italianos, atuais campeões europeus, ficaram fora novamente da Copa do Mundo e aceleraram o processo de reconstrução depois da derrota por 3 a 0 para a Argentina pela Finalíssima. As duas seleções se enfrentam neste sábado, às 15h45, no Molineaux Stadium, em Wolverhampton.

O sorteio da atual edição da Liga das Nações fez com que a Inglaterra caísse no Grupo C junto à Alemanha, Hungria e a própria Itália. A chave tem sido uma ótima preparação para o Mundial, já que a equipe do técnico Gareth Southgate enfrentará na primeira fase seleções de nível inferior, como Estados Unidos, País de Gales e Irã.

Mas Southgate vem lidando com críticas por atuações inconsistentes e ausência de jogadores importantes no time titular, como o lateral-direito Alexander-Arnold, do Liverpool. Os ingleses vêm de um empate fora de casa contra a Alemanha em 1 a 1, embora tenham sofrido durante boa parte do jogo, e de uma derrota para a Hungria por 1 a 0.

"Eu sei o que eu queria desses jogos. Também aceito que, com a Inglaterra, você será julgado e precisa vencer todas as partidas. Mas eu tenho de pensar um pouco diferente disso e aceitar que, se houver críticas, tudo bem. Tenho de tomar as decisões certas para os jogadores, para o time, para tentar melhorar o time e se isso significa críticas, que assim seja. Se minha tomada de decisão for afetada por isso, então é algo com o qual não terei sucesso", disse o treinador.

Southgate chegou ao comando da seleção inglesa em 2016, sem larga experiência na função. O ex-jogador treinou apenas o Middlesbrough entre 2006 e 2009. Quatro anos depois, conseguiu uma  vaga para técnico da Inglaterra sub-21 e, com a demissão de Sam Allardyce, treinador da seleção inglesa principal, assumiu provisoriamente e se manteve em definitivo no cargo.

Na “Era Southgate”, ele atendeu ao apelo dos torcedores e deu oportunidades a vários jovens talentos. Se não ganhou títulos, conquistou resultados importantes, como o vice da Euro, a quarta posição na Copa do Mundo de 2018 e o terceiro lugar na primeira edição da Liga das Nações, resultados que gerações anteriores sequer chegaram perto. Com isso, as cobranças também aumentaram.

Atropelo da Argentina

Ficar fora de duas edições seguidas da Copa do Mundo já é motivo para preocupação. Mas ser derrotado com facilidade por 3 a 0 pela Argentina na Finalíssima, o duelo entre os campeões europeus e sul-americanos, trouxe mais holofotes para o processo de mudanças na seleção italiana.

O zagueiro Giorgio Chiellini, de 37 anos, anunciou sua despedida da Azzurra na última semana, antes do duelo com os argentinos. Outros jogadores mais veteranos também devem ficar fora do próximo ciclo para a Copa do Mundo de 2026. "Incluiremos jovens para ver o quanto valem e buscar novas soluções. Sempre usarei um, dois ou três jovens. Jogaremos sempre para vencer, não para fazer experimentos, mas o horizonte deve ser o futuro. Queremos construir a seleção que vencerá a próxima Copa do Mundo", disse Mancini antes do jogo contra a Argentina.

O técnico segue no comando da Azzurra, apesar do vexame diante da Macedônia do Norte na repescagem por uma vaga ao Mundial do Catar. Ele foi bastante exaltado pela campanha italiana na Eurocopa do ano passado e pela longa série de invencibilidade. Um time de características ofensivas que foi muito elogiado pelos torcedores.

Não será preciso começar o trabalho do zero, mas novos rostos ganharão oportunidades. No fim de maio, Mancini convocou mais de 50 jogadores para um “estágio” de observação, com uma lista contendo vários jovens. Um dos garotos que chamou a atenção é o atacante Wilfried Gnonto, de apenas 18 anos, criado na base da Inter de Milão e hoje destaque do Zurich, da Suíça. Gnonto, que disputou o Mundial sub-17 em 2019 no Brasil, fez sua estreia na partida contra a Alemanha pela Liga das Nações no último sábado e deu a assistência para o gol italiano.

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