Inglaterra retira apoio à candidatura presidencial de Platini

O francês Michel Platini perdeu o apoio da Inglaterra para a sua candidatura à presidência da Fifa nesta sexta-feira, o que pode ser considerado como o primeiro racha na unidade europeia a seu favor que o francês tentou retratar.

Estadão Conteúdo

16 de outubro de 2015 | 11h53

A Associação de Futebol da Inglaterra (FA, na sigla em inglês) foi uma das primeiras federações a endossar publicamente a candidatura de Platini em julho e agora se tornou a primeira a se distanciar do presidente da Uefa enquanto ele permanece sob investigação.

A suspensão de 90 dias pelo Comitê de Ética da Fifa o impediu de participar da reunião da última quinta-feira da Uefa, com o seu advogado respondendo aos questionamentos sobre um polêmico pagamento que o levou a ser punido e o tornou alvo de uma investigação criminal na Suíça.

A associação inglesa indicou nesta sexta-feira preocupações sobre as explicações de Platini sobre os 2 milhões de francos suíços recebidos da Fifa em 2011. O francês afirma que o valor se refere a um trabalho como assessor de Joseph Blatter entre 1998 e 2002, afirmando que a entidade não tinha recursos para pagar naquele momento. Mas isso não foi formalizado através de um contrato.

"Na reunião da Uefa na quinta-feira, a FA conheceu mais informações relativas às questões sobre este caso dos advogados do senhor Platini", disse a FA em um comunicado, acrescentando que não podia discutir os detalhes citando questões de confidencialidade.

"Como resultado do conhecimento dessas informações, o Conselho da FA concluiu nesta manhã que deve suspender o seu apoio à candidatura do senhor Platini para a presidência da Fifa até que o processo legal seja concluído e a situação seja esclarecida".

Esse processo legal poderia prosseguir para além da eleição de 26 de fevereiro e a FA está preparando o terreno para apoiar outro candidato. O presidente da federação jordaniana, o príncipe Ali Bin Al-Hussein, que a FA apoiou na eleição presidencial de maio, se candidatou novamente. Mas o presidente da Confederação Asiática de Futebol, o xeque Salman Bin Ebrahim Al Khalif, que endossou a campanha de Platini em julho, agora, está ponderando a apresentação de sua candidatura antes do prazo de 26 de outubro.

Se Platini estiver suspenso no momento avaliação da integridade do interessados a participar da eleição, será improvável que a sua candidatura seja oficializada pela Fifa.

O francês entrou com um recurso contra a sua suspensão pela Fifa e recebeu o apoio dos 54 membros da Uefa na última quinta, com o pedido de um "julgamento justo", mas sem comentários sobre o pagamento. A FA endossou esse anúncio, em que os membros da Uefa dizem esperar que possa haver uma conclusão do caso até meados de novembro.

"A FA deseja ao senhor Platini todo o sucesso na luta contra essas acusações e que limpe seu nome, e não tem interesse em tomar qualquer ação que ponha em risco a este processo", disse a associação inglesa.

A eleição de fevereiro será a segunda na Fifa em menos de um ano. Blatter, de 79 anos, ganhou um quinto mandato em maio, mas anunciou sua decisão de renunciar quatro dias depois diante do agravamento das investigações envolvendo vários dirigentes da entidade.

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