Inglaterra tem realidade muito diferente do Brasil

Campeonato Inglês possui como marcas registradas o baixo número de faltas e a alta intensidade das partidas

Mateus Silva Alves e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 17h00

O Campeonato Inglês é uma espécie de negativo do Brasileirão. Se por aqui o excesso de faltas e o pouco tempo de bola rolando provocam profundo incômodo em quem gosta de futebol bem jogado, na Inglaterra esses problemas não existem. Lá os jogos quase sempre são corridos, com poucas reclamações e nada de simulações.

Os jogadores estrangeiros que chegam à Inglaterra logo aprendem uma lição valiosa: é proibido “cavar” faltas e pênaltis. Se há algo que as torcidas e a imprensa do país detestam é ver um jogador mergulhar no gramado para tentar enganar o árbitro. Quem faz isso passa o resto da partida sendo vaiado e pode se preparar para ler coisas bastante desagradáveis quando abrir os jornais no dia seguinte.

O volante Fernandinho não teve de se preocupar com isso quando trocou o Shakhtar Donetsk pelo Manchester City, no ano passado. Afinal, ele não é o tipo de jogador que se joga no chão em busca de um pênalti. Mas o jogador revelado pelo Atlético-PR precisou aprender rapidamente muitas coisas que os seus oito anos na Ucrânia não lhe ensinaram. A mais importante delas: na Inglaterra, é preciso correr. O tempo todo.

“Nos meus primeiros jogos aqui, fiquei impressionado com a intensidade do futebol jogado no país”, contou o volante, peça importante do City na conquista do título da última edição do Campeonato Inglês. “Quando um time fica com a segunda bola em sua área, já sai correndo para o contra-ataque. Não dá para tirar o pé em nenhum jogo, mesmo contra os últimos colocados. Comparando com o Brasil, a diferença é absurda.”

Fernandinho ficou tão assombrado com o ritmo do futebol inglês que chegou a temer por seu futuro no City. O receio era não conseguir se adaptar àquela correria toda, mas o volante logo pegou o jeito e se acostumou a correr mais do que jamais havia corrido em sua carreira.

“Outro dia falei para o Fernando (volante brasileiro que o City contratou recentemente do Porto) que era bom ele ir se acostumando porque aqui os adversários não desistem nunca, lutam pelo gol até o fim da partida”, comentou Fernandinho, acrescentando que essa característica faz com que o Campeonato Inglês tenha mais gols nos minutos finais das partidas do que qualquer outra competição.

Outra diferença fundamental entre o futebol brasileiro e o inglês é o comportamento dos árbitros. No Brasil, é comum ver os homens do apito baterem boca com os jogadores e exibirem cartões como se estivessem portando uma arma. Na Inglaterra, a realidade é outra. Os árbitros têm o hábito de conversar pausadamente com os atletas, como se estivessem dando uma palestra. Quando mostram um cartão, eles o fazem de maneira calma e discreta.

Antes do início do campeonato, todos os clubes recebem a visita de árbitros para que os jogadores saibam o que podem fazer durante as partidas e, principalmente, o que não podem (simulação está obviamente no topo da lista). Para que não haja dúvidas, os atletas recebem cartilhas produzidas pelas autoridades da arbitragem do país.

“Os árbitros na Inglaterra são muito tranquilos. Tem um, cujo nome não me lembro, que até gosta de contar piadas durante os jogos”, contou Fernandinho. “Acho que se um juiz inglês fosse apitar um jogo do Campeonato Brasileiro ele seria massacrado. Aqui os árbitros permitem o corpo a corpo e dificilmente marcam falta em um carrinho, além de conversarem bastante com os jogadores. No Brasil, tenho certeza de que esse estilo não seria bem aceito.”

Tudo o que sabemos sobre:
FutebolBrasileirão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.