Inglaterra tem regras para novos cartolas

Temendo dirigentes corruptos e ineficazes e investidores suspeitos, a Inglaterra acaba de adotar, nesta semana, uma lei que estipula condições para que uma pessoa se torne um cartola de um clube de futebol. As regras foram adotadas pela Premier League, órgão que regula os 20 maiores clubes britânicos e deverá, em breve, ganhar toda a Europa. O código ainda estabelece leis sobre a transparência nas contas dos clubes e tenta impedir que empresas de fachada sejam usadas por "dirigentes ocultos" para controlar um clube. Segundo o porta-voz da Premier League, Dan Johnson, o objetivo dessas regras é garantir a qualidade na gerência do esporte mais rico da Inglaterra e que movimenta, apenas na primeira divisão, 1,7 bilhão de euros por ano. A indústria do futebol britânica deixou aos cofres do governo 790 milhões de euros em 2003 em impostos, quatro vezes mais que em 1995. Nos últimos doze anos, as estimativas são de que o governo de Londres recebeu 4,3 bilhões de euros do futebol por meio de impostos, cerca de R$ 15 bilhões. Com tanto dinheiro sendo movimentado, cresce a pressão para que as contas sejam transparentes. Para ser cartola, portanto, uma das exigências é que a pessoa não ter sido indiciada ou procurada por fraude. Além disso, o candidato à dirigente não pode ter sido responsável por ter levado um clube à falência no passado. As regras também exigem que todas as movimentações financeiras de um clube no valor acima de 25 mil libras esterlinas (cerca de R$ 130 mil) sejam declaradas. "O rigor financeiro será grande", garantiu Johnson. Outra preocupação da entidade está no uso de empresas como forma de ocultar alguém que esteja de fato comandando uma operação financeira em uma equipe. É o que a Premier League chama de "dirigentes ocultos".

Agencia Estado,

26 Agosto 2004 | 16h44

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