Ingleses combatem preconceito no futebol

Depois de fazer campanha para combater o racismo no futebol, a Federação Inglesa de Futebol (FA) ataca uma outra forma de preconceito - contra jogadores gays. Chamar um adversário de "bicha", por exemplo, pode fazer com que o jogador seja expulso de campo. O torcedor que usar xingamentos homofóbicos contra os jogadores ou o juiz poderá ser retirado do estádio, receber uma multa e até ser processado. "Queremos mudar a imagem do futebol como a de um esporte com ambiente hostil a gays", disse à BBC Brasil Lucy Faulkner, diretora da Comissão de Ética e Justiça no Esporte da federação.Nenhuma lei nova vai ser criada para isso. Segundo Lucy, a federação vai apenas fazer valer o artigo do regulamento que diz que os participantes do esporte não podem praticar qualquer discriminação com base em origem étnica, cor, raça, nacionalidade, religão, sexo, orientação sexual ou deficiência física. "O que a federação quer fazer é levar a sério nosso papel como órgão que dirige o futebol na Grã-Bretanha. E atacar a homofobia é como atacar qualquer outra forma de discriminação", afirmou.Ela diz que nenhum xingamento é inocente e que mesmo jogadores que não são homossexuais são alvo desse tipo de ofensa. "Muita gente acha que isso é parte do jogo. Mas não é aceitável. Você não aceitaria isso na sociedade. E nós não devemos aceitar num estádio de futebol." "Queremos que as pessoas vão aos estádios e se divirtam. E quanto mais nós conseguirmos combater pessoas que usam ofensas, mais vamos tornar o jogo melhor", acrescentou.Além de o torcedor ser retirado do estádio e multado, o clube também poderá receber multas pelo comportamento de sua torcida. Mas a primeira fase da campanha é mais educativa, de acordo com Lucy. As punições serão decididas numa segunda fase. A federação criou uma linha de telefone gratuita para receber reclamações. "Mas ainda vai levar tempo para as pessoas se sentirem confiantes para fazer denúncias", afirmou.Ofensas - Segundo ela, o clube que vai ser um dos primeiros alvos da campanha é o Brighton & Hove Albion, da Segunda Divisão. Entre os jogadores, um dos que recebem mais ofensas das arquibancadas é o zagueiro Sol Campbell, do Arsenal e da seleção inglesa. "Ele não é gay, mas a torcida só quer saber de ofender, não importa como", afirmou Lucy. Sol, que é negro, também é alvo de ataques racistas de torcidas adversárias. "Ainda não combatemos o racismo completamente. Agora, precisamos lidar com outros tipos de problema. Temos que ficar de olho o tempo todo", afirmou. Na primeira divisão inglesa, não há nenhum jogador abertamente gay.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.