Ennio Leanza/AP
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Inquérito na Suíça reúne o equivalente a 27 mil CD-Roms de informações sobre cartolas

Processos, apesar de já ter levado à prisão de José Maria Marin, ainda está longe de uma conclusão

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2018 | 05h00

Três anos depois de promover o maior abalo na história do esporte, investigadores da Suíça acumulam o equivalente a 27 mil CD-Roms de informações sobre dezenas de dirigentes esportivos, sobre processos de escolha de sedes de Copas e sobre entidades ligadas ao futebol.

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Em um informe que será apresentado hoje em Berna, o Ministério Público da Suíça confirma que, desde 2015, reuniu um total de 19 terabytes de informações sobre contas bancárias, extratos, documentos, contratos e milhares de emails entre os suspeitos. Os processos, apesar de já ter levado à prisão de Jose Maria Marin e duas dezenas de cartolas, ainda está longe de uma conclusão.

O volume de informação é equivalente a 27 mil CDs ou mais de três vezes a informação continua nos dados da Wikipedia. O que o Fifagate gerou até agora em termos de informações seria perto de 50% do que o Telescópio Hubble captou durante 20 anos de sua existência.

De acordo com o MP suíço, os investigadores conduziram uma série de medidas e operações em 2017, como parte de inquéritos envolvendo 25 processos criminais em andamento contra dirigentes esportivos. Entre os investigados está o brasileiro Ricardo Teixeira. O Estado revelou com exclusividade em 2016 que o FBI encontrou contas na Suíça e sugeriu que, mesmo não estando em seu nome, elas seriam de fato controladas pelo cartola.

“Além disso, o Escritório do Procurador-Geral conduziu uma análise detalhada dos 19 terabytes de documentos confiscados”, indicou a procuradoria, em seu informe.

De acordo com Berna, foi o resultado desse processo que levou a procuradoria a abrir um caso contra Jérôme Valcke, ex-secretário-geral da Fifa, e contra Nasser Al-Khelai, CEO do Paris Saint Germain. “O processo se refere à suspeita de corrupção no setor privado”, diz o informe.

Os suíços ainda apontam que, graças à cooperação com França, Itália, Grécia e Espanha, diversos endereços pelo continente europeu foram alvos de operações simultâneas em outubro de 2017.

Também no ano passado, o MP suíço concluiu o primeiro caso nas investigações iniciadas em 2015. “Um ex-empregado de um banco suíço foi condenado por falsificar documentos e violações das regras que o obrigavam a alertar sobre atividades de lavagem de dinheiro”, indicou. Ele teria se beneficiado de pagamentos de US$ 650 mil.

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