Ivan Storti/ Divulgação
Ivan Storti/ Divulgação

Insatisfação do elenco provocou queda de Enderson no Santos

Pressão de dirigentes também contribui para a saída do treinador

SANCHES FILHO, Estadão Conteúdo

05 Março 2015 | 14h52

O Santos demitiu Enderson Moreira após o treino desta manhã no CT Rei Pelé em uma decisão que atendeu ao pedido dos líderes do elenco, em razão dos seguidos desentendimentos do treinador com jogadores, e que foi prontamente aceito pelos dirigentes.

No treino desta manhã, Enderson se irritou com os erros de passes e, para mostrar aos jogadores como que era para ser feito, chutou violentamente a bola em Werley. Robinho se apressou em minimizar o incidente, gritando para os companheiros: "vamos em frente, gente", e o treino seguiu normalmente.

Sua maior vítima durante o treino foi Gustavo Henrique, que na véspera rebateu a declaração de treinador na entrevista à Rádio Bandeirantes. O zagueiro errou um passe e o treinador explodiu: "você tá numa pu....a desgraçada". Todos jogadores ouviram, indignados. E o assunto teve desdobramentos na parte interna do CT.

Enderson assumiu em setembro contra a vontade da maioria dos jogadores. Todos gostavam do educado e equilibrado Oswaldo de Oliveira e não concordaram com a demissão dele. Nesta manhã, o clima contra o técnico piorou. Membros da comissão técnica comentavam "as declarações de Enderson dadas na entrevista à Rádio Bandeirantes contra os meninos da base".

Pela primeira vez em seis meses de Santos, antes de dar a coletiva de imprensa previamente marcada, Enderson foi para a parte interna do CT Rei Pelé, onde discutiu com jogadores, e demorou mais de meia hora para comparecer à sala de entrevistas. Calmo, o técnico não deixou pergunta sem resposta, nem mesmo sobre a suposta rejeição aos garotos da base.

"Eu falei de uma maneira geral. O Santos tem jogadores aqui com um perfil ótimo. São jogadores que estão trabalhando diariamente para buscar o espaço. Críticas eu faço primeiramente com o atleta pessoalmente. O meu desafio é fazer com que os atletas entendam que a coletividade é maior do que a individualidade. Individualmente, ninguém vai chegar a lugar nenhum. Ninguém consegue conquistas individuais se as conquistas do grupo não se sobressaírem. Tão importante quanto ser decisivo é ser coadjuvante. É dessa forma que eu penso. Sou pai, não sou avô e não passo a mão na cabeça de ninguém", disse.

Ao retornar ao Hotel Recanto dos Alvinegros, anexo ao CT Rei Pelé, Enderson foi comunicado que não era mais o técnico do Santos. Agora ele é mais um na lista de credores do clube, juntando-se a Muricy Ramalho e Oswaldo de Oliveira para receber a multa rescisória. Ele ganhava R$ 180 mil por mês e a multa é de dois salários (R$ 360 mil).

Enderson vinha sendo "fritado" por importantes dirigentes há tempo. Pesava contra ele ter se aproveitado da debandada de titulares do time de 2014 por falta de pagamento de salários para levar para a Vila Belmiro jogadores mais rodados e que já haviam trabalhado com ele em outros clubes. Do nada, ele exigiu um novo goleiro o que provocou a decisão de Aranha de buscar a liberação na Justiça do Trabalho. Também passou a bater de frente com Gabriel, quando o novo xodó santista retornou da seleção brasileira sub-20.

Enquanto os dirigentes não atendiam as ligações para confirmar oficialmente a dispensa do treinador, Robinho comunicou a queda aos companheiros em mensagem pelo WhatsApp. O presidente Modesto Roma Júnior vai anunciar oficialmente a demissão de Enderson Moreira às 16 horas, em coletiva na Vila Belmiro. É possível até que o dirigente já informe o nome do novo treinador. Dorival Júnior, Abel Braga e Mano Menezes, apesar de sua rejeição no clube e do perfil de retranqueiro, são os nomes mais comentados para substituir Enderson. Contra o Botafogo, no próximo domingo, em Ribeirão Preto, o time deverá ser dirigido por Pepinho (filho de Pepe), treinador do Sub-20 do Santos.

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