Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Insatisfeito, Cesare Prandelli vai mudar a seleção italiana

Para a estreia diante do México, no domingo, técnico pretende povoar mais o meio-campo

Luís Augusto Monaco - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2013 | 08h05

RIO - Duas atuações muito ruins em seguida, nos empates com a República Checa (0 a 0) pelas Eliminatórias para o Mundial e com o inexpressivo Haiti (2 a 2) no amistoso de terça-feira em São Januário, abalaram as convicções que o técnico italiano Cesare Prandelli havia construído em quase três anos de trabalho. E agora, às vésperas da estreia na Copa das Confederações (domingo, contra o México, no Maracanã), ele está inclinado a usar um esquema que nunca havia usado pela seleção italiana. E vai sobrar para El Shaarawy, que irá para o banco.

Prandelli sempre ressalta que prefere analisar as atuações, e não os resultados. Sua preocupação é ver a Itália construindo o jogo e tentando se impor. Mas o que viu nas duas últimas partidas o decepcionou em três aspectos: físico, técnico e mental.

Em Praga, com a força máxima em campo, a Azzurra passou 90 minutos sem dar um chute a gol. O quarteto de meio-campo, formado por jogadores habilidosos como Pirlo, De Rossi, Montolivo e Marchisio, não criou e foi engolido pelos checos. Também faltou ambição, já que o empate era um ótimo resultado para os italianos. Se não fossem as muitas defesas de Buffon e uma ajudinha da sorte, o time teria sido derrotado.

Contra o Haiti, Prandelli escalou o time reserva. Confiava no fôlego e na vontade de mostrar serviço dos suplentes para superar o Haiti sem grandes problemas. Mas fisicamente a equipe foi atropelada, o que fez com que fosse agredida durante a maior parte do tempo por uma seleção que ocupa a posição número 63 no ranking da Fifa. E a falta de determinação mostrada pelos reservas, que pareciam achar que ganhariam sem precisar fazer força, também não passou em branco aos olhos do treinador. Até o capitão Buffon, que ficou no banco, considerou a equipe "presunçosa".

A Itália foi vice-campeã da Eurocopa e navega tranquila nas Eliminatórias usando dois sistemas de jogo. O mais utilizado foi o 4-4-2, com o quarteto de fino trato no meio-campo e dois homens na frente. Prandelli também ficou satisfeito com o 4-3-3, com a entrada de um atacante aberto no lugar de Pirlo - que não tem pernas para combater quando o time tem apenas três no seu setor. Mas no segundo tempo do jogo de terça, diante da imensa inferioridade física de seus jogadores, o técnico usou o 4-2-3-1 (que se torna um 4-5-1 quando a equipe é atacada) para ter mais gente no meio-campo tentando recuperar a bola e protegendo a defesa. E, para o jogo contra o México, ele pensa em trocar El Shaarawy por Giacherini, que tem menos quilometragem nas costas por ser reserva na Juventus, ou Aquilani.

Nesse sistema, Balotelli ficaria como referência na área à espera da aproximação dos meio-campistas que, exceto De Rossi, se revezariam na função. Até domingo, Prandelli espera que o novo sistema faça o time evoluir e que os jogadores melhorem a condição física. E, principalmente, que recuperem a vontade de serem protagonistas.

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