Inspetores da Fifa vão percorrer 18 cidades em dez dias

Para isso, eles terão à disposição um jatinho; prazo apertado exige visitar duas cidades por dia

Jamil Chade, do Estadão,

31 de julho de 2007 | 13h02

Para fugir do caos aéreo no Brasil, os inspetores da Fifa que desembarcarão no País dia 27 de agosto irão alugar um jato privado para percorrer as cidades pré-selecionadas para receber as partidas da Copa do Mundo de 2014. "Sei dos problemas [aéreos] e, sem um jato privado, não teremos como percorrer 18 cidades em dez dias", afirmou o chefe dos inspetores da Fifa, Hugo Salcedo, encarregado de avaliar a candidatura do Brasil e apresentar um relatório técnico da Fifa em outubro. Veja também: Após o Pan, você acha que o Brasil tem condições de sediar uma Copa?Conheça as cidades candidatas a sede da Copa de 2014O País é o único a se apresentar para o evento em 2014 e o resultado das inspeções serão fundamentais para a definição da sede. O grupo de seis inspetores permanecerá no Brasil por apenas dez dias e Salcedo admite que estar em quase duas cidades por dia não será fácil. Muito menos se o objetivo é o de fazer um detalhamento minucioso dos locais. Para pessoas ligadas aos eventos mundiais, a permanência curta dos inspetores seria mais uma prova de que a Fifa está tranquila em relação ao Brasil. O próprio presidente da Fifa, Joseph Blatter, não esconde sua simpatia pela candidatura do País. Mas o relatório sobre o Brasil estará nas mãos de Salcedo, mexicano naturalizado americano e que tabalha há 25 anos na Fifa. Além dele, o grupo de inspetores contará com um suíço para avaliar as condições de segurança. Para Salcedo, é dificil comparar a situação da Copa com a candidatura fracassada do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Ele admite que a questão da segurança foi crucial na eliminação da cidade, mas destaca que pode ser mais fácil a segurança em um evento que abrange não apenas uma cidade onde estão todos os atletas e turistas. Um dos inspetores ainda tratará da infra-estrutura dos hospitais. "Temos que garantir que haverá atendimento tanto para jogadores como para o público", afirmou Salcedo. Um dos inspetores cuidará apenas de questões diplomáticas e administrativas com o governo. Um dos problemas que podem surgir se refere ao número de sedes de jogos. O Brasil pré-selecionou 18 cidades, de Boa Vista a Porto Alegre. Mas a idéia é de doze acabarão sendo escolhidas. Para a Fifa, porém, o número ideal seria de oito a dez sedes. Blatter não descarta considerar o assunto, mas seus assessores alegam que uma Copa mais concentrada pode ser mais eficiente. Rui Rodrigues, da agência MPM Propaganda e gerente do projeto, garante que o Brasil preparado para receber inspetores. "Agora está nas mãos da Fifa", disse. "Ser o único candidato é mais difícil, já que seremos comparados aos padrões da Fifa, e não com outros países. Mas acho que dessa vez vamos ganhar", afirmou.Preocupação também, na teoria, com o PaísBlatter faz apenas uma ressalva sobre o dossiê de mais de 900 páginas recebido das mãos de Ricardo Texeira, presidente da CBF. "Vamos ver se tudo o que está aqui nessas páginas corresponde à realidade", disse. Ele garante que seus inspetores avaliarão não apenas as questões esportivas, mas também sociais, políticas e econômicas. "O futebol é parte da sociedade e, se vamos levar a Copa a um país, queremos saber a situação completa da sociedade", afirmou. Um dos aspectos será a questão ambiental. "Queremos jogos limpos. A Copa não pode agravar a situação ambiental. O Brasil já é criticado pela questão da Amazônia e terá de olhar para isso também", disse Blatter. Ainda assim, o cartola garante que está otimista com o apoio da população e dos setores econômicos.

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