Instabilidade pode atrapalhar trabalho de Muricy Ramalho

Técnico não vive um bom momento no São Paulo e pode até sair se fracassar no Paulistão e na Libertadores

Marcius Azevedo, Jornal da Tarde

12 de abril de 2008 | 16h36

Quando deixou o São Paulo em 1997, Muricy Ramalho, então apenas um discípulo de Telê Santana, prometeu voltar e conquistar títulos pelo clube. Quase nove anos depois, ele voltou e cumpriu. Foi bicampeão brasileiro em 2006 e 2007 pelo seu clube de coração. Veja também: O Palestra Itália tem condições de sediar o segundo jogo da semifinal? Quais times estarão na final do Campeonato Paulista? Serviço: para quem vai ao jogo no Morumbi  As conquistas exterminaram o rótulo de regionalista que insistia em perseguir Muricy. Mais do que isso: colocaram o são-paulino na elite de treinadores, na qual Vanderlei Luxemburgo (cinco vezes campeão brasileiro) já estava há algum tempo. Mas como em qualquer relação, já existem sinais de desgaste. Assim como aconteceu no início do ano passado, o técnico não vive um bom momento à frente da equipe. Apesar de estar na semifinal do Paulista, o tropeço diante do Audax Italiano (derrota por 1 a 0) deixou o time em uma situação delicada no Grupo 7 da Libertadores. Para classificar sem depender do resultado de Audax e Luqueño, o time terá de bater o Atlético Nacional, no Morumbi, na última rodada. BALANÇOU?A continuidade do treinador foi questionada inclusive pelo vice-presidente de futebol do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que não garantiu que Muricy permanecerá no cargo se o time não se classificar na Libertadores. Para piorar, ainda tem o Campeonato Paulista e um duelo contra o Palmeiras. Mas para Muricy foi sempre assim. "Minha vida nunca foi fácil. Sei que não sou muito amigável, social, mas se eu não vencer sempre não duro". O treinador é um apaixonado pelo que faz. "Meu filho, aqui é trabalho", gosta de dizer. Costuma passar noites vendo jogos, seja o compacto das partidas do próprio São Paulo (quer detectar o mais rápido possível onde o time errou) ou de outras equipes. Tanto que muitas vezes deixa os jornalistas esperando na sala de imprensa depois das partidas no Morumbi para ver algum rival que naquele momento está jogando em outro lugar. Mais do que comprometido com o trabalho, Muricy é um apaixonado pelo São Paulo. Foi criado ali. E mora perto do estádio. Boa parte de sua vida foi passada no time tricolor. Antes de virar técnico, foi jogador da equipe por cinco anos (1973 a 1978). Disputou 177 jogos e marcou 26 gols. A carreira fora de campo começou no início década de 90. Primeiro foi auxiliar de Telê. Depois, assumiu o lugar do mestre que se afastou por causa da saúde. Muricy, que teve duas passagens pelo Morumbi como técnico (a primeira foi de 1994 a 1997), já ficou no banco do time 277 vezes. Conquistou 151 vitórias e 76 empates. Sofreu ainda 50 derrotas, um aproveitamento de 63,6%. Mas como ele mesmo diz, todo treinador vive de resultados. E se eles não vieram nos próximos três jogos (dois contra o Palmeiras e outro diante do Atlético Nacional) o seu destino pode ser, mais uma vez, longe do clube. "Não sei se ele vai ter tranqüilidade para trabalhar [se os resultados não vierem]", disse Leco. A pressão, porém, não é novidade. Ano passado, quando foi eliminado da Libertadores pelo Grêmio, Muricy balançou, ficou e provou que o presidente Juvenal Juvêncio estava certo em não demiti-lo. "O São Paulo sabe respeitar o profissional. Confiaram em mim e acabamos conquistando o título brasileiro".

Tudo o que sabemos sobre:
São Paulo FCPalmeirasPaulistão A-1

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.