Inter ainda estuda reação às ameaças

Ameaçado de perder a vaga na Copa Libertadores, o Internacional está acuado e não esboçou uma reação, pela menos nesta quinta-feira. Num dia cheio de más notícias, o presidente do clube, Fernando Carvalho, ficou sabendo que a Conmebol comunicou à CBF, e esta à Federação Gaúcha de Futebol (FGF), que o Internacional será eliminado de qualquer competição sul-americana se contestar resultados esportivos na Justiça Comum, inclusive se houver ações movidas por seus torcedores.Ao final de uma tarde de reuniões com advogados do clube, Carvalho limitou-se a dizer que o problema será resolvido, mas não anunciou o que vai fazer nesta sexta-feira. O presidente voltou a apelar ao torcedor Leandro Konrad Konflanz que retire a ação que moveu na Justiça Comum contra a CBF. Mas Konflanz disse que não tomou uma decisão ainda.Desde sábado está em vigor uma liminar estabelecendo que a CBF não proclame o campeão brasileiro sob pena de pagar multa de R$ 100 ao dia. A decisão não foi cumprida pela CBF, que entregou o troféu ao Corinthians na segunda-feira.O presidente Carvalho também perdeu um aliado que tinha no conselho deliberativo do Internacional. O advogado Carlos Papaléo, a quem Konflanz presta serviços na condição de autonômo, irritou-se pela denúncia, feita pela imprensa, de que estaria no meio de um esquema do clube para usar o torcedor que moveu a ação na Justiça comum como laranja.Fora do conselho, Papaléo disse que se sente à vontade para manifestar o que pensa sem prejudicar o clube. E soltou o verbo, afirmando que Konflanz moveu a ação por livre iniciativa, exercendo um direito constitucional que tem. Também questionou se não seriam laranjas os torcedores do Vasco, Fluminense e Botafogo que foram à Justiça Comum defender a anulação de 11 jogos do Campeonato Brasileiro imposta pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Luiz Zveiter."Deveriam se voltar para os verdadeiros laranjas", propôs Papaléo, desconfiando, ainda, que o Fortaleza esteja ameaçando pedir o rebaixamento do Internacional por pressão de terceiros."Não consigo mais conviver com esse esquema nojento, em que o que vale é a simulação", discursou Papaléo. O advogado lamenta pela posição em que está seu amigo Carvalho, presidente do clube, que vive o dilema entre exigir o que julga que é direito do Internacional, o título brasileiro, ou se submeter às ameaças da CBF e da Conmebol para não perder a vaga na Copa Libertadores, pela qual o clube lutava havia 13 anos.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2005 | 20h05

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