Inter apela para macumba para vencer a Libertadores

O São Paulo é conhecido há décadas como ?o time da fé?. Mas o Inter também tem suas crenças. Antes do jogo, um funcionário do clube fez uma espécie de macumba num dos dois gols do Beira-Rio. O ?serviço? incluía um bonequinho de saci (o mascote do Inter) sobre a linha do gol e uma imagem de Santo Antônio, com várias velas vermelhas e brancas, além de uma garrafa de bebida alcoólica, atrás da rede. O autor do ?despacho? foi o funcionário que cuida do gramado, Nereu Gonçalves, conhecido como Frank e devoto fanático de Santo Antônio. Gonçalves trabalha há 26 anos no Inter. Há 20, ele faz esse ?servicinho extra? antes de jogos decisivos. Geralmente, coloca a imagem de Santo Antônio atrás do gol do Portão 7 (à direita das cabines de TV), onde os principais gols da história do Inter foram marcados. Nesta quarta, porém, ele resolveu inovar e mudar de gol. As velas vermelhas e o saci também foram novidades. Já o Santo Antônio ?assistiu? a todos os jogos do Inter no mata-mata da Libertadores. A outra novidade na decisão da Libertadores foi a presença de bafômetros na entrada do estádio. Torcedores cujo comportamento despertava a atenção de policiais - ou seja, estavam ?mais alegrinhos? do que o de costume - eram obrigados a fazer o teste no aparelho. Ninguém se recusou a usar o bafômetro. Para evitar tumultos, a diretoria do Inter resolveu antecipar a abertura e o fechamento dos portões do estádio. Às 18 horas, a entrada foi liberada. Às 21 horas, uma hora antes do jogo, os portões foram fechados. Mais de mil pessoas cuidaram da segurança dentro e em volta do estádio: 800 policias militares e 250 seguranças particulares contratados pelo Inter. No total, 54.800 ingressos foram vendidos, sendo 40 mil para sócios do Colorado e três mil para são-paulinos. O clima era de paz, já que as torcidas dos dois times se dizem ?amigas?. Membros da Independente, do São Paulo, dormiram em alojamentos da sede da Camisa 12, do Inter. Fizeram até um churrasco, além de um acordo: qualquer que fosse o resultado, não haveria briga nem provocação. ?Só teria problema se a final fosse contra o Grêmio?, disse um integrante da Independente. Fora do estádio, os cambistas, como sempre, marcaram presença. Ingressos que custavam R$ 50 eram oferecidos a R$ 200 a apenas alguns metros de policiais fardados. Houve relatos de que ingressos para cadeira numerada coberta, que custavam R$ 100, eram vendidos a R$ 800.

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