Inter tenta se concentrar só no futebol

Em mais um dia de reviravoltas nas disputas fora do campo, o Internacional deixou a discussão jurídica de lado para se concentrar no decisivo jogo de domingo, contra o Coritiba, no Couto Pereira. A ordem do presidente Fernando Carvalho é tratar de garantir antes a vitória esportiva e só depois, se necessário, partir para a busca de direitos na Justiça Comum.Nos gabinetes do Beira-Rio, os diretores poderiam comemorar uma vitória e chorar uma derrota nesta sexta-feira. A vitória foi um despacho do desembargador Mário Rocha Lopes Filho, da 18.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que negou provimento a um agravo de instrumento encaminhado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para pedir a cassação da liminar de primeiro grau da juíza Munira Hanna que, no dia 18 de novembro, atendeu o torcedor Leandro Konrad e considerou válidos os resultados dos 11 jogos do campeonato brasileiro que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) anulou.Pelas duas decisões da Justiça gaúcha, o Internacional seria o líder da competição, com um ponto à frente do Corinthians, e seria o campeão com uma simples vitórias sobre o Coritiba, neste domingo. Mas a CBF considera uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro que ratifica a anulação dos jogos e mantém o Corinthians como primeiro colocado.Os diretores colorados também receberam uma notícia desagradável da Fifa, que não tomou conhecimento do relatório que recebeu do clube gaúcho denunciando como ilegal a anulação dos jogos. A resposta seca da entidade é que referenda as decisões da CBF.Como não é participante da ação movida pelo torcedor, o Internacional não se manifestou sobre a decisão da Justiça. O clube prefere tentar ganhar no campo. Se vencer o Coritiba e se o Corinthians perder para o Goiás e, ainda, se a soma do saldo de gols das duas partidas ultrapassar a cinco, o Internacional será campeão no campo. E se empatar ou perder e o Corinthians ganhar ficará a mais de quatro pontos do campeão e não terá motivos para lutar nos tribunais. Por isso, Carvalho prefere deixar para estudar um eventual recurso à Justiça Comum para segunda-feira e só se o colorado ficar até quatro pontos atrás do adversário.Objetivo, o técnico Muricy Ramalho nem quis saber das discussões fora de campo. "Isso aí pode dar reviravolta ainda", esquivou-se. "É melhor concentrar forças para ganhar no campo". Para isso, e como precisa de saldo, treinou jogadas de ataque, como cobranças de faltas, cruzamentos e deslocamentos.A mobilização colorada será total para conseguir a vitória em Curitiba. O Internacional vai levar 29 jogadores, inclusive o contundido Clemer e os suspensos Ediglê e Gavilán, para o último jogo do ano. Quer toda a equipe unida. O volante Sangaletti, multicampeão que ganhou nove campeonatos estaduais nos últimos nove anos, vai se despedir do futebol acompanhando todos os momentos da decisão. "Eu quero encerrar a carreira com um título brasileiro", reitera, preparando-se para dar todo o apoio aos seus companheiros.Neste sábado, os jogadores fazem o último treinamento de manhã e depois viajam para a capital paranaense. Receberão o carinho dos torcedores no aeroporto de Porto Alegre e serão recepcionados por colorados que vivem em Curitiba no aeroporto de São José dos Pinhais. A torcida do Internacional promete ocupar todos os 4,8 mil lugares destinados a ela no Couto Pereira. De Porto Alegre devem sair 15 ônibus levando cerca de 700 pessoas.

Agencia Estado,

02 de dezembro de 2005 | 20h58

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