Interatividade nas redes sociais bate recorde durante Copa no Brasil

Torneio foi marcado pela participação de internautas falando sobre jogos e também pelo contato mantido entre os jogadores e seus fãs

Denise Bonfim, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 07h38

Se dentro de campo a Copa do Mundo realizada no Brasil bateu recorde atrás de recorde, fora dele os números impressionam em diversos quesitos. O torneio, que despertava a desconfiança até a véspera da festa de abertura, trouxe mais estrangeiros para o país que o esperado, levou multidões às ruas e movimentou o público também - e principalmente -, pelas redes sociais.

Não é necessário dispor de muito tempo para encontrar os perfis dos grandes jogadores na internet. Os brasileiros Neymar e David Luiz, por exemplo, foram os jogadores que mais ganharam fãs no Facebook e no Instagram desde o início do Mundial. O camisa dez, líder da estatística, somou 14.933.027 torcedores a mais em suas contas. Dos estrangeiros, Messi é o preferido dos seguidores.

O Mundial é recordista desde o seu início. A primeira semana da Copa do Mundo já mostrava que a forma de acompanhar os jogos tinha mudado. Na abertura do evento, cerca de 58 milhões de pessoas acompanharam a partida entre Brasil e Croácia pela rede, número cinco vezes superior à interação durante a festa do Oscar, por exemplo. 

Segundo Fabio Mallini, Doutor em Comunicação e Cultura da UFRJ e responsável pelo Laboratório de Pesquisa sobre Internet e Cultura da universidade, os momentos de comoção que o torneio trouxe aos usuários fez com que os números chegassem a picos tão altos. "Existe uma relação entre emoção e publicação. No Twitter, por exemplo, quanto maior o nível de comoção da partida, maior a quantidade de interação. Os maiores picos de publicação foram as prorrogações, penalidades e derrotas. São momentos de grande tensão e as pessoas reproduzem por meio de uma publicação. Isso aparece no momento dos gols também, conseguíamos notar que a rede sofre uma relação direta".

A fala do especialista é amparada pelas pesquisas divulgadas pelas próprias redes. De acordo com o Facebook, o momento mais comentado em toda a Copa foi o quinto gol alemão na goleada de 7 a 1 sobre o Brasil. Ao fim da partida, foi verificado que 66 milhões de pessoas acompanharam a eliminação brasileira, o que representa um quarta da de toda a interação global. Na final entre argentinos e alemães, 88 milhões de pessoas comentavam o jogo, o que gerou cerca de 280 milhões de interações, estatística que engloba posts, comentários e curtidas.

De 12 a 13 de julho, 350 milhões de pessoas geraram mais de 3 bilhões de interações no Facebook, tornando a Copa o evento mais comentado da história nas redes sociais, indiscutivelmente.  

O conteúdo postado diariamente pelas equipes e atletas alimenta as discussões dos torcedores, que transformam a rede em uma grande mesa redonda do futebol. O alemão Podolski é mais um grande exemplo de sucesso na internet. Com suas postagens em português no Twitter, ele conquistou a torcida brasileira, que lançou a hashtag #ficaPodolski e #Podolskibrasileiro durante a fase final da Copa. "O Twitter já adiantava que teríamos o recorde, e o site se tornou o grande lugar de marcação de tendências, como no caso do Podolski", explica Mallini. 

Copa das Copas ou Copa dos memes?
"O humor marcou a participação brasileira nas redes sociais. Aqui, tudo vira meme", conta Mallini. De fato, episódios como a mordida de Luis Suárez em Chiellini, a desclassificação de campeões mundiais como Itália e Espanha e até momentos de tensão como a contusão de Neymar foram combustíveis para as brincadeiras. Nem Robben, o bola de bronze da competição escapou da 'zoeira': a queda que resultou no pênalti contra o México virou balé, pulo de paraquedas entre outras coisas. 

Essa, na opinião do especialista, é a maior diferença para o Mundial da África, em 2010."Os canais esportivos e a imprensa, agora mais presente na internet, são os responsáveis pela mudança. As notícias viram hits. O futebol não é mais só um esporte para assistir, mas para comentar e ironizar, isso muda a experiência dos torcedores".

O que esperar do futuro?
O avanço e a disponibilidade das novas tecnologias e novos dispositivos pode transformar a próxima Copa, na Rússia, em uma experiência ainda maior. "Talvez não seja discutida como foi no Brasil, mas o evento vai ser manter forte em termos de interação mundial. Talvez tenhamos redes de vídeos e gifs aperfeiçoados, uma internet mais veloz e com ainda mais usuários. Só que vai continuar sendo um evento de muita brincadeira: ridiculariza, no bom sentido, quem perde. A derrota faz parte da comemoração, porque a zoeira na Copa não tem fim. A zoeira é do futebol!", completa.

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