Joca Duarte/Photo Press
Joca Duarte/Photo Press

Interior desafia grandes do Estado no mata-mata do Paulistão

Com folhas salariais menores do que as dos rivais, Ponte, Botafogo, Linense e Novorizontino tentam superar na bola o abismo financeiro entre as equipes

O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2017 | 07h00

As quartas de final do Campeonato Paulista começam neste sábado com dois jogos – Ponte Preta x Santos e Botafogo x Corinthians. Neste domingo, mais duas partidas, com Linense x São Paulo e Novorizontino x Palmeiras. Em comum, os encontros que definirão os semifinalistas do torneio estadual apresentam duelos entre os grandes clubes e equipes do interior do Estado e as brutais diferenças de orçamento, folha salarial do elenco, infraestrutura, entre outras.

Um dos mais tradicionais clubes do interior do País, a Ponte Preta conta com a força deu estádio para tentar superar o Santos. No Moisés Lucarelli, o aproveitamento do time de Campinas é de 61,1%, com três vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Com uma folha salarial menor que a do adversário, de aproximadamente R$ 1,2 milhão, e um teto de R$ 150 mil, a diretoria quer aproveitar o fator casa para transformar o Moisés Lucarelli em um verdadeiro caldeirão e, de quebra, bater o recorde de público do torneio – o maior público do time foi no jogo com o Corinthians, que teve 10.840 pagantes.

O vice-presidente Giovanni Dimarzio reconheceu a importância de atuar dentro dos domínios, onde os campineiros possuem média de 5.490 torcedores por partida. “Nossa torcida sempre faz uma festa linda no Majestoso, e isto é importante para valorizar o fator campo. Certamente, agora não será diferente.”

A torcida, porém, não é o único trunfo da equipe dirigida por Gilson Kleina. Dentro de campo, destaque para a dupla formada por William Pottker e Lucca. Enquanto o primeiro é um dos artilheiros da competição com sete gols, o segundo não fica muito para trás, com apenas um tento a menos. No gol está o experiente goleiro Aranha, que defendeu o Santos entre 2011 e 2014. E o confronto pode marcar ainda a reestreia do ídolo Renato Cajá, contratado nesta semana.

O Botafogo se gaba de ter chegado nas quartas de final com uma das folhas salariais mais baixas do Campeonato Paulista (é a menor entre os oito classificados) e com apenas três derrotas – todas para times da Série A do Brasileirão. Até agora, a equipe foi derrotada pelo Palmeiras (1 x 0), Ponte Preta (2 x 1 ) e Santos (2 x 0). A diretoria paga para os atletas algo em torno de R$ 300 mil mensais.

“Se pegar o salário do Cristian, já dá para pagar todo o salário do nosso elenco”, brincou o presidente do clube, Gerson Engrácia, lembrando que o volante afastado pelo Corinthians recebe algo em torno de R$ 420 mil. Sobre o confronto com o Corinthians, ele esbanjou sinceridade. “A gente sabe que é muito difícil, mas não é impossível. Vamos lutar e quem sabe o Sargento Garcia não consegue derrotar o Zorro. No futebol, nem sempre quem mais investe é quem ganha”, diz.

Em relação ao elenco, quem tem aparecido como destaques da equipe são o lateral-esquerdo Fernandinho, o meia Rafael Bastos e o zagueiro revelado pelo clube Matheus Mancini, filho do técnico da Chapecoense, Vagner Mancini. “Seguramos 60% do elenco que disputou a Série C ano que vem e reforçamos o elenco com uns dez jogadores que chegaram para ser titulares”, explicou o dirigente.

O Linense precisou fazer uma opção mais arriscada em termos técnicos e vai jogar as duas partidas com o São Paulo no Morumbi, com renda dividida. O abismo financeiro entre os grandes clubes paulistas e a maioria dos times do interior não vem de hoje. Com cotas maiores e participações em competições nacionais e internacionais, eles têm um poder de investimento maior e usam isso para rechear o elenco de estrelas. A diretoria espera que a renda que a equipe de Lins vai receber ajude a chegar ao final do ano com as contas em dia.

Se o São Paulo tem uma folha salarial mensal que gira em torno de R$ 6,5 milhões por mês, o Linense, adversário do time tricolor nas quartas, gasta entre R$ 450 e R$ 500 mil e tem o meia Thiago Humberto como principal estrela. O jogador de 31 anos tem passagens pelo Internacional, Vitória e Ceará e é o artilheiro da equipe no Paulistão.

O Novorizontino vê o confronto com o Palmeiras, dono da melhor campanha, como um prêmio pelo trabalho de reconstrução. O clube foi fundado com um outro nome em 2012, após a cidade ter ficado 13 anos sem times profissionais. “Nosso segredo foi trabalhar passo a passo. Quando montávamos o elenco, o foco era em ter resultados na divisão em que estávamos, sem pensar em objetivos muito altos”, explicou o presidente da equipe, Genilson Santos.

O retorno à elite foi no ano passado, quando a meta foi apenas escapar da queda, já que seis times foram rebaixados na ocasião. Para 2017, o clube sonhava com essa participação nas quartas de final. “Trabalhamos duro e a torcida apoiou. Somente nas primeiras horas de vendas para o jogo com o Palmeiras, 6 mil ingressos foram vendidos”, afirmou o presidente. A carga completa é de 11 mil entradas. No estádio Jorge Ismael de Biasi a equipe está invicta, com três vitórias e três empates.

O orçamento do Novorizontino é bem modesto. A média salarial é de R$ 25 mil, enquanto o teto é de R$ 35 mil. Entre os jogadores mais conhecidos estão o zagueiro Jéci, ex-Palmeiras, e o atacante Nilson, que teve passagem pelo Santos.

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