Interior quer fazer sucessor de Farah

Para acabar com o que ele considera a "máfia do futebol paulista", o presidente da Ferroviária de Araraquara, Milton Cardoso, garante que será candidato às próximas eleições da Federação Paulista de Futebol, que ainda não têm data marcada. Ele garante que tem o apoio de muitos dirigentes do interior, que estariam descontentes com administração "centralizadora e voltada aos interesses dos grandes clubes".A principal queixa de Cardoso seria o novo calendário divulgado pela Federação Paulista após a definição do calendário quadrienal imposto pela CBF. As novas medidas, segundo o dirigente, vão atingir em cheio os interesses e a própria sobrevivência dos clubes interioranos. "Os clubes do interior precisam de apoio, de um calendário decente e de campeonatos verdadeiramente organizados", reclama Cardoso, uma das poucos vozes a se levantar contra todo-poderoso Eduardo José Farah, presidente da FPF, há 13 anos. "Muitos dirigentes também pensam como eu, mas têm medo de serem perseguidos. Eu mesmo estou sofrendo na pele este tipo de revanchismo", completou.Farah evita comentar as queixas do dirigente. Mas não esconde de ninguém seus planos de assumir, o mais rápido possível, a presidência da Liga Rio-São Paulo. Ele também já declinou sua preferência para substituí-lo no poder dentro da FPF. Três nomes estariam aptos, segundo Farah: Reinaldo Carneiro Bastos, atual vice-presidente administrativo; Marco Pollo Del Nero, presidente do Sindicato dos Clubes e Rubens Aprobatto Machado, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no estado de São Paulo.Cardoso é presidente da Ferroviária, um dos clubes mais tradicionais do interior paulista e que já esteve por muitos anos entre os grandes clubes do futebol de São Paulo. Mas, depois de várias tropeços, o time disputa apenas a Série B-1, o que eqüivaleria à quarta divisão do Estado. Recentemente, Cardoso foi o protagonista de cenas de pastelão ao correr atrás de um juiz e de agredir um representante num jogo em que a Ferroviária venceu o Barretos, por 1 a 0, em Araraquara. O dirigente foi suspenso por 30 dias, enquanto o clube perdeu o mando de dois jogos e ainda recebeu uma multa de R$ 10 mil. Para o dirigente, tudo faz parte do plano arquitetado pela Federação para impedir o acesso do seu time à Série A-3. A Ferroviária é quinta colocada na Série B-1, com 41 pontos ganhos, e faltam apenas cinco rodadas para a definição dos dois times que ascenderão à Série A-3 no próximo ano.

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