Alexandre Lops/Divulgação
Alexandre Lops/Divulgação

Internacional e Grêmio voltam a decidir Gaúcho após três anos

Primeira partida da decisão será o jogo de número 400 da história do clássico

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2014 | 17h00

PORTO ALEGRE - Depois de três anos, Grêmio e Internacional voltam a decidir o Campeonato Gaúcho em dois clássicos. Mas o primeiro deles, que será disputado a partir das 16 horas deste domingo na Arena do Grêmio, terá um sabor (ainda) mais especial: trata-se do Gre-Nal de número 400 da história.

Realizado desde 1909, o principal clássico do Rio Grande do Sul tem uma das rivalidades mais acirradas do País. É senso comum no Estado que o jogo é um campeonato à parte. “É o nosso maior clássico, mexe com o Estado e a cidade. Ele tem um valor muito grande mesmo quando é um jogo de fase de classificação”, diz o presidente do Inter, Giovanni Luigi.

Opinião idêntica tem o mandatário do Grêmio, Fábio Koff. “É um jogo diferente, que mexe com todo o Rio Grande do Sul, mobiliza Capital e interior. Ninguém quer perder no domingo porque vai ter que aguentar a corneta durante a semana inteira”, afirma. “Gre-Nal é o maior clássico do futebol brasileiro e um dos maiores do mundo.”

Para o ex-volante Batista, que atuou pelo Inter entre 1973 e 1981 e depois se transferiu para o Grêmio, clube pelo qual atuou por duas temporadas, vencer o clássico tem um valor simbólico. “É a questão do domínio da aldeia. O time pode até perder lá fora, mas dentro do Rio Grande o vencedor é quem manda”, avalia.

O jogo entre os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul mexe tanto com o estado que os dias que antecedem o jogo são chamados pela imprensa de Semana Gre-Nal. O duelo também sempre tem nome próprio: do simples número do confronto – como, por exemplo, o Gre-Nal 400 –, a outros como Gre-Nal Farroupilha ou Gre-Nal da Legalidade.

“É uma rivalidade diferente do resto do País. Aqui são só dois clubes, o jogo envolve as famílias do estado inteiro, as cidades se modificam. No fim, 50% do estado vai ficar feliz e 50% vai ficar menos feliz”, define Gelson Pires, secretário geral do Inter e sócio do clube há 55 anos.

CLÁSSICOS HISTÓRICOS

Seis anos mais velho, o Grêmio dominou as estatísticas dos confrontos com o Inter nos primeiros anos. Logo na primeira partida, disputada em 18 de julho de 1909, o tricolor gaúcho impôs a maior goleada da história dos Gre-Nais: um inapelável 10 a 0. O time também venceria o Clássico dos 100 anos em 19 de julho de 2009, pelo placar de 2 a 1.

O Inter, por sua vez, tomaria a frente nas estatísticas do confronto na década de 1940 para nunca mais ser alcançado. O clube chega ao Gre-Nal 400 com 24 vitórias a mais do que o rival.   Uma delas aconteceu em setembro de 1954. O time colorado foi convidado pelo Grêmio para participar do festival de inauguração do estádio Olímpico e acabou batizando o estádio com uma goleada por 6 a 2.

Foi também o Inter o vencedor daquele que ficou conhecido como Gre-Nal do Século.  Disputado em fevereiro de 1989, o clássico 297 era válido pela segunda partida da semifinal do Campeonato Brasileiro de 1988. Depois de empate no jogo de ida, o Grêmio saiu vencendo no Beira-Rio e o Inter teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo. Mas o técnico colorado – assim como hoje, Abel Braga – mandou os jogadores para o ataque na etapa final e o time virou o marcador, garantindo presença na decisão e uma vaga à Libertadores.

TENSÃO

Além de ser o clássico de número 400 e de começar a colocar em jogo o título estadual de 2014, o Gre-Nal deste domingo ganhará ainda mais destaque na história dos confrontos se tiver um vencedor. É que, até o momento, ninguém venceu nos embates disputados na Arena do Grêmio, inaugurada em dezembro de 2012. Nos dois jogos, um pelo Brasileiro do ano passado e outro pela primeira fase do Gaúcho deste ano, houve empate em 1 a 1.

Conhecidos pelo temperamento ponderado, Giovanni Luigi e Fábio Koff não escondem a tensão que envolve o jogo, até porque o resultado da partida terá reflexo por vários dias. “Quando o Inter ganha Gre-Nal é uma alegria muito grande, eu fico mais leve, a semana é muito mais tranquila. Mas quando perde eu não consigo dormir nos dois primeiros dias, fico com o corpo todo dolorido, tenho até que tomar relaxante muscular”, revela Luigi.

“Existe um ditado aqui no Rio Grande do Sul de que a vitória no clássico arruma a casa e que a derrota desarruma”, diz Koff. “Só por isso você já tem ideia da importância que tem vencer o rival, especialmente quando se trata de uma decisão de campeonato.”

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