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Investigação de Copa de 2022 terá divulgação incompleta, revela Fifa

Trabalho realizado por Michael Garcia é feito sob a garantia de anonimato e, por isso, nome dos envolvidos não será divulgado

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 06h55

A investigação conduzida pela Fifa sobre a suspeita de corrupção na Copa de 2022 no Catar jamais será publicada em sua versão completa. A informação foi anunciada nesta sexta-feira pela entidade máxima do futebol, que promete, para meados de novembro, uma primeira declaração sobre os resultados da pesquisa, que não deve apresentar os nomes dos envolvidos no 'escândalo'. Esses nomes seriam mantidos em anonimato.

O Catar é suspeito de ter comprado votos para sediar a Copa de 2022, o que obrigou a Fifa a investigar o assunto. Um primeiro informe de 200 mil páginas foi produzido pelo advogado americano Michael Garcia. Seu texto foi entregue a um juiz alemão, Hans-Joachim Eckert, que tomará uma decisão sobre eventuais punições. Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e que votou pela Catar, foi amplamente investigado por Garcia.

Mas, em declarações publicadas no site da Fifa, o juiz confirma que não irá disponibilizar a versão integral do informe, como muitos estão pedindo no mundo do futebol e mesmo entre políticos. Mas apenas um resumo. "A declaração (em novembro) vai incluir um resumo da investigação, um resumo das principais revelações, conclusões e recomendações, além de uma rápida avaliação", disse o alemão.

Segundo ele, "publicar o informe completo colocaria o Comitê de Ética da Fifa e a própria Fifa em uma situação legal muito difícil". "Além disso, temos de respeitar o direito das pessoas mencionadas no informe, o que numa publicação completa do informe não poderia ser feita". Eckert nega qualquer tipo de desentendimento com Garcia, alertando que o americano apenas pediu que "uma publicação adequada" fosse realizada. Segundo o alemão, ele trabalha para decidir como apresentar a publicação de forma "adequada".

ANONIMATO

O juiz não descarta nem mesmo publicar partes dos informes, mas mantendo os nomes dos envolvidos em "anonimato". "A principal exigência é que os direitos pessoais sejam preservados", declarou. Um dos obstáculos legais é que parte das entrevistas realizadas por Garcia ocorreram sob a garantia de anonimato. 

Michel Platini, presidente da Uefa e que votou pelo Catar, é um dos que defendem a publicação do informe na íntegra. O príncipe Ali bin Al-Hussein, da Jordânia, e membro da Fifa, também exige conhecer a totalidade do documento. Já o presidente da entidade, Joseph Blatter, é contra sua publicação completa.

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