Investigação descobre que a MSI tem outra empresa em Israel

Firma de israelense teria direito a receber parte do dinheiro pela venda de Carlos Alberto ao Werder Bremen

Marcel Rizzo e Martín Fernández - Jornal da Tarde,

11 de setembro de 2008 | 21h19

A obscura parceria Corinthians/MSI ainda surpreende, quase um ano após a atual diretoria ter notificado a parceira avisando que o contrato estava encerrado. Na cobrança que a MSI faz ao Werder Bremen para receber o dinheiro da venda de Carlos Alberto, aparece o nome de uma empresa que também teria direito a valores por ter participado da negociação: a Rio Football Services Limited.Veja também: Lulinha é garantia no rolo da venda de Carlos AlbertoDê seu palpite no Bolão Vip do LimãoPessoas envolvidas na investigação da parceria, como o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, desconheciam a Rio nos negócios da MSI. Antonio Roque Citadini, oposicionista no Corinthians e que esmiuçou os contratos, também nunca ouviu falar.Segundo apurou a reportagem, a Rio é o novo nome da Global Soccer Agency, empresa do israelense Pini Zahavi, empresário que fez diversos negócios com a MSI relacionados ao Corinthians. Outra empresa dele, a HAZ Sport Agency, comprou Carlos Tevez do Boca Juniors, em 2004.Por causa da dificuldade para encontrar as empresas é que a defesa do Werder Bremen no Brasil demorou para enviar cartas rogatórias à MSI e à Rio, como determinou a juíza Cynthia Torres Cristófaro em despacho de 21 de agosto. As cartas são necessárias para as empresas se pronunciarem oficialmente sobre o caso.A sede da MSI, por exemplo, fica nas Ilhas Tortola, no Caribe, conhecido paraíso fiscal. A da Rio é em Tel-Aviv (Israel). "Precisávamos de alguém para se responsabilizar pelos documentos em cada cidade. Em Tel-Aviv havia dificuldade, o pessoal tinha medo. Agora conseguimos que fossem enviadas", explicou Erasmo Mendonça De Boer, advogado do Werder no Brasil.De Boer diz que os alemães acionaram a justiça brasileira para não ter problemas futuros, como serem cobrados duas vezes. E adicionou um detalhe à disputa jurídica: a MSI e a Rio acionaram o Werder na justiça de Bremen, cobrando os 7 milhões de euros totais (quase R$ 18 milhões) da negociação de Carlos Alberto."O curioso nesse processo é que eles têm detalhes da ação que corre aqui, mesmo sem nunca terem se pronunciado", disse De Boer Outro capítulo da confusa parceria corintiana.CASO ‘GARCIA’O presidente Andres Sanches preferiu não comentar o recadastramento extra-oficial de associados feito pelo candidato oposicionista a presidente Paulo Garcia. Como mostrou a reportagem nesta quinta-feira, este enviou cartas aos associados pedindo que entrassem no site de campanha, o Pró Corinthians, e se cadastrassem, com dados como endereço e telefone."Quem tem de responder por isso são o administrativo e o jurídico", disse Andres Sanches. O departamento jurídico do clube estuda entrar com uma ação contra o conselheiro, já que a correspondência dava a impressão de ser um documento oficial. Garcia diz que precisa de um arquivo seu e que quem passou o contato dos sócios foi o próprio Andres Sanches, em fevereiro.Além de Sanches e Garcia, deve haver mais um candidato em janeiro, Osmar Stábile, o que repetiria o trio que disputou a eleição de outubro de 2007. Marlene Matheus, atualmente vice de Sanches, também pode se candidatar.

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